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DA REUTERS
A Votorantim Cimentos, maior produtora do setor no Brasil, deve retomar o processo de abertura de capital no próximo ano, segundo fonte próxima ao assunto. A empresa cancelou nesta segunda-feira o pedido para oferta inicial que marcaria a segunda maior operação do ano no país e ajudaria acelerar os planos de expansão do grupo.
A operação, avaliada inicialmente em R$ 10,3 bilhões, tinha sido suspensa em junho até 11 de setembro, diante de condições adversas do mercado financeiro.
"Hoje há pouca visibilidade para uma oferta até o final do ano (...) Não estão vendo um mercado tão sólido e com condição adequada e decidiram antecipar o procedimento (de retirada do pedido)", disse a fonte.
"Com isso, a empresa também retoma flexibilidade para interagir com o mercado, saindo do período de silêncio", adicionou. Os planos para a operação devem ser retomados quando o mercado apresentar melhores condições para a oferta.
Se a operação tivesse sido precificada, poderia ser a segunda maior do ano no Brasil, só atrás da BB Seguridade, que levantou R$ 11,48 bilhões em abril.
Com a retirada do pedido, a Votorantim Cimentos une-se à companhia de saneamento fluminense Nova Cedae, à empresa de logística Vix e à Queiroz Galvão Óleo e Gás, que no início do ano engavetaram planos para abertura de capital, também citando condições adversas do mercado.
"Na percepção da companhia, as condições atuais dos mercados reforçam a baixa probabilidade de uma janela oportuna para a retomada da oferta no curto prazo", afirmou a empresa em comunicado à imprensa.
No prospecto, a Votorantim Cimentos informava que pretendia usar os recursos obtidos com a oferta primária para continuar a estratégia de expansão orgânica e diversificação de portfólio de produtos no Brasil e para potenciais aquisições fora do país. A empresa não comentou o assunto além do comunicado à imprensa.
Os investimentos previstos para o período entre 2013 e 2015 no Brasil são de R$ 3,562 bilhões para aumentar capacidade de produção, além de R$ 1,426 bilhão em despesas de capital.
Segundo a fonte, "nada muda" nos planos de expansão da Votorantim Cimentos após a retirada do IPO. A companhia deverá contar com sua própria geração de caixa para financiar o crescimento. "A oferta daria mais flexibilidade financeira para fazerem isso", acrescentou.
A Votorantim Cimentos tem planos de construir quatro fábricas no Pará, Ceará, Paraíba e Goiás, em investimentos de 2,7 bilhões de reais, de acordo com o prospecto.
Segundo o documento, a empresa tinha ao final de março endividamento consolidado de 12,29 bilhões de reais, dos quais 90 por cento representam compromissos de longo prazo, e planos para vender suas operações na China até o final de 2013.
Morgan Stanley, JP Morgan, Itaú, Credit Suisse e BTG Pactual eram coordenadores do IPO da Votorantim Cimentos. Antes de ser suspensa em junho, fontes do mercado financeiro chegaram a afirmar que o IPO da Votorantim Cimentos estava recebendo grandes reservas de investidores interessados.