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Em outubro de 2014, quando completar 60 anos, Roberto Setubal terá que deixar a presidência do banco que ocupa hoje a liderança dentre as instituições privadas no Brasil.
A aposentadoria compulsória está estabelecida no estatuto do Itaú Unibanco, instituição que fechou 2011 com patrimônio líquido de R$ 73 bilhões e uma rentabilidade sobre patrimônio líquido de cerca de 20%.
| Paulo Whitaker 28.m1i.2012/Reuters |
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| Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco |
Com prazo marcado para vagar, é natural que a cadeira de CEO desperte ambições e seja alvo de fofocas por todo o banco, que soma quase 110 mil funcionários. Roberto desconversa. "Ainda é muito cedo para discutir sucessão."
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A entrevista na íntegra
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No seu currículo, a formação em engenharia é normal, muita gente em banco fez engenharia, mas chamou a minha atenção que seu mestrado foi também em engenharia. Você já disse que não pensava em dirigir o banco, mas qual era a sua expectativa, qual foi a sua especialização?
Engenharia de produção, que é muito mais voltada para indústria, que está muito ligada a produtividade. Eu não me imaginava no banco, me imaginava mais numa área industrial. Sou muito metódico, racional, tenho uma formação de engenheiro que está muito presente na minha atuação de executivo. Gosto de ser da engenharia, gostei do curso, tanto que fiz a pós-graduação também nisso, na área de engenharia de produção.
Mas vim para o banco, acabei me apaixonando pela atividade. Olhando de fora parece muito árida, mas é uma atividade em que se tem muitas oportunidades, a dinâmica é muito grande, é preciso se adaptar, se mover numa velocidade incrível porque os mercados se ajustam constantemente. Se você for competente, consegue se adaptar rapidamente, saindo na frente dos concorrentes, o que te dá uma vantagem. Essa agilidade faz uma diferença enorme. Ao mesmo, você está vendo toda a economia. Como um banco grande, você vê todos os movimentos da economia, que setores estão mais e menos dinâmicos, conversa com pessoas de vários segmentos, vê como a classe C está crescendo, o financiamento para a classe C vira uma oportunidade, tem uma presença muito interessante, o que torna o dia a dia bastante fascinante.
Tem que ser bom de gerenciar processos também, não?
É interessante, o Itaú é muito visto como banco de engenheiros, porque somos muito focados em ter processos de qualidade. Numa empresa com a quantidade de produtos que a gente tem, nos Estados Unidos eles não têm metade dos produtos e serviços que a gente oferece, serviço, corretora, banco de investimento, fundos, cartão de crédito, tudo numa instituição só.
Em alguns países os bancos nem podem operar em vários setores, não é?
Isso vem mudando. Nos Estados Unidos, até pouco tempo, os bancos não podiam nem cruzar a fronteira do seu Estado. Nós somos bancos muito mais completos e complexos do ponto de vista de prestação de serviços. Aqui você vai a uma agência, senta na frente do gerente e ele vai poder ter oferecer uma enormidade de serviços, seu relacionamento com o banco vai estar todo consolidado numa única tela, mesmo sendo várias empresas por trás disso. A complexidade que tem por trás disso é enorme. E o Brasil de fato tem um sistema financeiro muito evoluído, o Banco Central faz um papel muito bom de supervisão e regulamentação bancária e é muito reconhecido por isso. Temos um bom sistema financeiro, em parte pela administração e pela competição também. No Brasil, embora nem sempre visto desta forma, a competição é superintensa, é enorme. Há dois gigantes privados nacionais, dois gigantes estrangeiros e dois gigantes públicos. E posso te dizer que a briga é intensa e a cada vitória a grandes comemorações, a cada derrota juras de vingança (risos).
Qual foi a última grande vitória e a grande derrota?
Ah, não vou falar disso, mas é isso que faz o sistema forte, essa permanente briga de ocupar posições, e ser melhor, ser mais competitivo. Isso faz o sistema muito forte.
Você já pensou em ter função pública como seu pai teve?
Não.
Mesmo que não num cargo político?
Não. Meu pai foi prefeito de São Paulo e ministro num outro Brasil. Hoje, especialmente para quem vem do sistema financeiro, do sistema privado, não dá para participar do setor público. O que não quer dizer que eu não tenha uma visão do país como um todo. Mas minha contribuição para o país pode ser enorme estando no sistema privado e contribuindo não só para ajudar a fazer um banco competente, eficiente, seguro, mas também por ter uma permanente disposição de construir um sistema financeiro melhor para o Brasil.
Quando o sr. tiver que deixar a presidência daqui a dois anos, além de ficar no conselho, pensa em alguma outra atividade?
Não pensei ainda muito no tema. Vou continuar no conselho e certamente terei uma presença ainda importante no banco.
Como evitar que a competição natural do seus possíveis sucessores atrapalhe a gestão do banco?
De forma geral, temos um ambiente muito bom entre os executivos, e todos entendem claramente a importância, a responsabilidade que cada um tem, e que em algum momento essa escolha terá que ser feita, e que é natural, e todo mundo é maduro o suficiente para saber levar isso dentro do profissionalismo e com a responsabilidade necessária. Além disso todos confiam que o banco tem uma governança ponderada, que saberá fazer isso acima de tudo pensando no que é bom para o banco.
Com que antecedência será feita a sucessão?
Evidentemente que não vamos chegar no último dia e falar olha, então, a solução é esta, mas ainda tem bastante tempo.
O Itaú faz muita questão de dizer que não comprou o Unibanco, mas que houve uma fusão, embora o Itaú seja muito maior e sua marca tenha prevalecido. A mensagem por trás disso é que não se trata de um negócio financeiro, mas de um movimento estratégico?
Exatamente.
E o que o Unibanco trouxe?
Primeiro, os controladores do banco ficaram no negócio, portanto não foi uma compra, foi uma fusão. E, ao ficar no negócio, também têm influência, continuam influenciando os destinos do banco. O Unibanco, embora parecido com o Itaú em muitas coisas, tinha diferenças importantes e trouxe contribuições bastante relevantes, na área de pessoas, principalmente. O Itaú era mais processos e o Unibanco era mais pessoas.