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Com calotes e menos crescimento econômico, o setor bancário perde fôlego.
Entre os três maiores bancos privados do país, Itaú e Banco Santander tiveram lucro menor no segundo trimestre que no mesmo período de 2011 (veja quadro). O ganho do Bradesco cresceu no período, mas em ritmo mais lento que no primeiro trimestre.
Nas três instituições, a inadimplência acima de 90 dias subiu em compasso semelhante, com destaque para o aumento dos calotes de pessoas físicas.
"Uma parte das famílias tomou dívidas superiores à capacidade de pagamento, e os bancos nem sempre tiveram a capacidade de frear essa tomada de crédito", disse Marcial Portela, presidente do Banco Santander Brasil.
Nesse cenário, o volume de crédito concedido pelos três bancos cresceu em ritmo menor que no trimestre anterior.
Itaú e Bradesco reduziram as estimativas de expansão das carteiras em 2012 --para cerca de 10% e entre 14% e 18%, respectivamente. O Banco Santander manteve sua projeção anterior: de 15% a 17%.
Em contrapartida, as reservas dos bancos para créditos duvidosos aumentaram.
NOVO CENÁRIO
Embora as três instituições sustentem que a inadimplência tenda a diminuir diante do baixo desemprego e do aumento da renda, ganham força no mercado questionamentos sobre como o setor bancário vai se adaptar ao novo cenário do país --que inclui ainda economia mais fraca e juro básico menor.
Além disso, a política recente do governo de reduzir as taxas cobradas pelos bancos públicos, que desencadeou o mesmo movimento de instituições privadas, acirra a competição.
NOVAS MÉTRICAS
"Os bancos terão de encontrar novas métricas para avaliar melhor o perfil de crédito dos clientes", diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
"Além disso, vão ter de treinar os seus gerentes para essa tarefa", acrescenta.
Perfeito acredita, no entanto, que essa fase de ajustes seja superada. E ressalta que, embora o desempenho das instituições financeiras tenha sofrido um impacto negativo, não se trata de algo preocupante. "O lucro dos bancos continua elevado."
A Austin Rating ressalta que a solidez do sistema bancário brasileiro não será afetada, embora destaque que o restante de 2012 e o ano de 2013 serão difíceis para o setor quanto ao desempenho financeiro.
A equipe de análise da XP Investimentos acredita que a rentabilidade menor dos grandes bancos deva se estabelecer como um novo patamar --que, ainda assim, é mais alto que o verificado no segmento em outros países, como os EUA.
Na avaliação da corretora, os bancos não estão interessados, diante da inadimplência, em expandir a carteira de crédito para tentar aumentar ganhos, mas, sim, preocupados com a qualidade dessa carteira para evitar calotes.
Nesse cenário, afirma a XP, aumentam as chances de mais movimentos como a parceria recente entre Itaú e Banco BMG com foco na carteira de crédito consignado do banco menor --modalidade com risco mais baixo.
Vale destacar que a sobrevivência das empresas financeiras de menor porte fica mais difícil com a maior concorrência dos grandes bancos, o que favorece a integração de bancos pequenos e grandes, por meio de parcerias, fusões ou aquisições.
| Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress | ||
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