Prefeituras de PR e PE preparam parcerias público-privadas para lixo
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Atualizado às 15h29.
As empresas e famílias brasileiras deixaram de gastar R$ 40,3 bilhões com o pagamento de juros de empréstimos graças à redução da taxa de juros ao longo do ano passado, segundo cálculo da Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), divulgado nesta quinta-feira (14).
O valor é equivalente a 0,9% do PIB de 2012.
Do volume total, R$ 18,9 bilhões foram poupados por pessoas jurídicas e R$ 21,4 bilhões por pessoas físicas.
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A entidade aponta a redução dos juros como decisiva para o consumo, pois garantiu crescimento de 5% no volume de vendas no ano passado.
TAXA DE JUROS PARA PESSOA FÍSICA AO MÊS EM FEVEREIRO
Linha de crédito | Taxa em fevereiro de 2013, ao mês | Taxa em janeiro de 2013, ao mês |
---|---|---|
Juros comércio | 4,02% | 4,00% |
Cartão de crédito | 9,37% | 9,37% |
Cheque especial | 7,75% | 7,77% |
CDC -bancos- financiamento de automóveis | 1,54% | 1,54% |
Empréstimo pessoal -bancos | 2,92% | 2,93% |
Empréstimo pessoal-financeiras | 6,94% | 6,96% |
Taxa média | 5,42% | 5,43% |
Fonte: Anefac
Os economistas da Federação, em nota, ressaltam, no entanto, outros fatores que também foram responsáveis pelo bom desempenho do varejo e da economia brasileira, dentre os quais estão: o baixo desemprego (a taxa atingiu o menor patamar histórico no final do ano); o reajuste real do salário mínimo, de 7%, o maior da história; o aumento da massa real de rendimentos, da ordem de 6%; a e as medidas de desoneração e estímulo ao consumo.
Para 2013, diante da perspectiva de redução aos estímulos ao consumo e a possibilidade de comportamento mais adverso da inflação, os economistas da entidade acreditam que a política de taxas de juros menores precisa ser mantida.
Eles destacam que o pagamento do custo dos empréstimos no Brasil para pessoas físicas consumiu ao longo do ano passado R$ 185 bilhões, ou quase 4% do PIB. Hoje, o custo médio dos empréstimos a pessoas físicas é da ordem de 38% ao ano.
JUROS
No dia 12, a Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) divulgou que a taxa de juros média para pessoa física teve ligeira queda de 0,01 ponto percentual em fevereiro e se manteve no menor nível da série histórica (iniciada em 1995). Passou de 5,43% ao mês em janeiro para 5,42% ao mês em fevereiro.
No ano, a taxa média de juros para pessoa física ficou em 88,40% em fevereiro (veja tabela). Já a Selic --taxa básica da economia-- é de 7,25% ao ano.
Comparando as duas taxas, o percentual, apesar de ter sofrido redução, pode ser considerado alto. Essa é a opinião do professor de finanças pessoais da Ibmec Gilberto Braga.
"Essas taxas ainda estão muito acima das praticadas na remuneração de investimentos, por exemplo. Para os padrões internacionais, o spread bancário no Brasil ainda é muito alto, então há espaço para que a taxa caia um pouco mais", diz. O spread é a diferença entre o custo de captação das instituições financeiras e a taxa cobrada ao cliente final.
O professor de finanças do Insper Michel Viriato concorda que as taxas continuam altas, mas aponta que o spread ainda depende da redução da inadimplência. "O banco não ganha essa diferença entre 88,40% e 7,25%. A rentabilidade é menor. Mesmo com a queda da inadimplência, os bancos devem fazer ajustes e ir reduzindo o spread lentamente", diz.
Para Braga, a taxa Selic deve subir um ponto percentual até o final do ano, devido à luta do governo para segurar a inflação. Já Viriato acredita que a taxa fique estável.
DÍVIDAS
A disponibilidade de crédito é positiva, mas ainda pode ser uma armadilha que acaba levando muitos consumidores para o endividamento. "O grande problema é que muita gente ainda não sabe se endividar. A pessoa compra no cartão de crédito e simplesmente não paga, e com os juros, faz uma dívida altíssima", diz Viriato.
O professor recomenda o planejamento na hora de consumir. "É preciso analisar se a família realmente tem condição de arcar com a compra. Quer comprar um computador, por exemplo ? Vá ao banco, converse com o gerente e veja qual é a linha de crédito mais barata e que você tem condição de pagar", diz. "Se você não encontrar nenhuma, então é melhor adiar a compra", completa.
No caso de pessoas que já estão superendividadas, Braga aconselha a negociação das taxas. "Pare de pagar, pois a dívida é impagável. Busque um advogado ou um financista que possa te ajudar a renegociar os valores. Nas grandes cidades, uma opção é ir na Defensoria Pública, que tem serviço de atendimento para pessoas endividadas. Na maioria dos casos, é possível reduzir o valor devido", diz.
"Além disso, quebre o cartão de crédito para não aumentar o valor da dívida e abra o jogo com a família. Muitos endividados sofrem sozinhos e calados e acabam tendo de fazer um esforço gigantesco para equilibrar as finanças enquanto o resto da família segue com o pé no acelerador. O esforço e a reeducação de hábitos precisam ser coletivos", diz.
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METODOLOGIA
A pesquisa da FecomercioSP partiu dos dados do Banco Central e calculou o volume total de recursos direcionados efetivamente ao pagamento de juros em 2011 e 2012, tanto pelas pessoas físicas quanto jurídicas. Para estimar a economia obtida pela redução das taxas, calcularam-se dois valores: o montante efetivamente pago a título de juros em 2012 e o montante que teria sido pago, caso os juros se mantivessem estáveis. A diferença aponta, com razoável precisão, a economia gerada com a redução das taxas.
(ANNA CAROLINA RODRIGUES)