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SÃO PAULO - O Itaú tinha presença aquém do seu potencial no mercado de crédito consignado e a associação com o Banco BMG vai mudar esse quadro, avalia o presidente executivo do Itaú, Roberto Setubal, em coletiva a imprensa. O banco está procurando reduzir seu nível de risco e spreads. Vamos ofertar mais crédito em operações de baixo spread e ter presença grande no consignado, disse o executivo.
Ao longo dos próximos anos, avalia Setubal, o crédito consignado vai continuar crescendo e a carteira pode se igualar ou superar a de financiamento de veículos. Setubal destacou que a transação com o Banco BMG foi fechada ontem, mas ainda precisa de assinaturas de alguns termos. Ele disse que a operação foi simples, não envolveu due dilligence.
O presidente do BMG, Ricardo Guimarães, destacou que a operação é ganha-ganha e o banco mineiro vai ter melhor estrutura de funding. O Itaú vai prover a instituição com até R$ 300 milhões por mês. Setubal destacou que o Itaú não tem a competência que o Banco BMG tem no consignado, com uma ampla rede de correspondentes bancários. Por isso a associação com a instituição mineira.
Negociação curta
Segundo Setubal, a associação do Itaú com o Banco BMG foi resolvida em tempo recorde, levando de quatro a cinco dias desde o início das conversas até a conclusão, ontem. Foi o próprio Itaú que procurou o BMG, interessado em uma associação.
O presidente do BMG, Ricardo Guimarães, afirmou que o banco mineiro chegou a procurar outras alternativas, mas não citou se houve negociações com outras instituições financeiras. No mercado, fala-se que a instituição chegou a negociar com Bradesco e BTG Pactual.
Após a criação da joint venture, que deve começar a operar em 90 dias, a expectativa é que a nova empresa gere cerca de R$ 800 milhões por mês em crédito consignado. Hoje o Banco BMG gera em torno de R$ 500 milhões.
Setubal disse que o principal desafio da joint venture será a parte tecnológica e os sistemas operacionais, pois a empresa vai começar do zero. Vamos ter que aportar todo o sistema operacional do (novo) banco. O Banco BMG vai ser responsável por isso disse Setubal.
Sobre o futuro, Setubal falou que a parceria pode ser até ampliada, mas ainda é cedo para avaliar isso. O executivo disse que ainda serão definidos que produtos serão ofertados pelo Itaú aos mais de 3 milhões de clientes do BMG.
Carteiras de crédito
O Itaú se comprometeu a comprar até R$ 300 milhões por mês em carteiras de crédito geradas pelo Banco BMG com taxas de juros de mercado. Mesmo sendo um dinheiro com taxas de mercado, a principal vantagem para o Banco BMG dessa linha de crédito, segundo seu presidente, Ricardo Guimarães, será uma maior estabilidade no funding.
O banco mineiro vinha dependendo muito da cessão de carteiras a outros bancos e depósitos com garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), o chamado DPGE, para captar recursos no mercado. Desde a descoberta do rombo do PanAmericano, a cessão de carteiras tem andado de lado e o DPGE acaba em 2016.
Guimarães disse que se chegou a avaliar a venda do BMG, mas o modelo de associação proposto pelo Itaú foi a melhor solução encontrada, além de ter sido fechado em tempo recorde.
Estimativas
O Itaú deve rever para baixo suas previsões para o crescimento da carteira de crédito em 2012. Os novos números devem ser anunciados no fim do mês, quando o Itaú divulga o balanço do segundo trimestre, de acordo com o diretor de controladoria do Itaú Unibanco, Rogério Calderón.
A meta atual do banco é elevar a carteira entre 14% e 17%. Calderón disse que o Itaú já trabalhava com a possibilidade de o banco crescer no piso do intervalo. O patinho feio na carteira de empréstimos do banco é o financiamento de veículos. Esse segmento deve encolher e contribuir para uma menor expansão da carteira.