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Embora veja com reservas a política do governo de usar os bancos públicos --Banco de Brasil e Caixa Econômica Federal-- para forçar a redução das taxas de juros oferecidas no país, o presidente do BTG Pactual, André Esteves, acredita que a mudança no patamar de crédito será benéfica para o setor bancário.
"Usar banco público para artificializar preços da economia em nenhum tempo é uma boa política. Em algum momento de picos de aperto da liquidez, manter a presença dos bancos públicos de maneira regular nos mercados -o que é bem diferente da primeira sentença- é válido. No longo prazo, que seria um erro", afirma.
À frente do maior banco de investimentos da América Latina, André Esteves, 44, diz que a redução vai afetar apenas uma parcela menor da carteria de crédito das instituições, uma vez que as taxas oferecidas para empresas e aquelas de empréstimos de menor risco, como o financiamento imobiliário, já estavam compatíveis com o mercado internacional.
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Leia abaixo este bloco da entrevista:
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Como o sr. avalia a política de fazer os bancos públicos liderarem a redução das taxas de juros e de administração?
É um desafio. Temos um sistema financeiro muito sólido, o que é um patrimônio nacional. Temos tanto patrimônio quanto qualidade de gestão para endereçar isso sem o menor problema.
O Banco do Brasil é uma companhia de capital aberto, listada no Novo Mercado da Bovespa, com boa governança. Não vejo nenhuma irresponsabilidade vindo nessa direção.
Como política, usar banco público para artificializar preços da economia em nenhum tempo é uma boa política.
Em algum momento de picos de aperto da liquidez, manter a presença dos bancos públicos de maneira regular nos mercados -o que é bem diferente da primeira sentença- é válido. A gente não pode confundir o válido com a má política de longo prazo, que seria um erro.
O sr. citou só o Banco do Brasil. Com a Caixa haveria um problema?
Não é um problema, mas não é uma companhia... A Caixa é lider no financiamento imobiliário, faz isso muito bem, numa das áreas de crescimento mais relevantes do Brasil, do ponto de vista do financiamento. Deve continuar fazendo e até aumentar sua presença nesse mercado.
Só fiz uma analogia. A Caixa ainda não é, mas poderia ser uma empresa de capital aberto na Bolsa. Não seria uma má ideia.
Vê uma ressaca à vista? Alguma revisão dessa expansão tão rápida do crédito com juros mais baixos e spreads menores?
Essa questão dos spreads é um pouco mitificada.
Um componente importante do ativo de crédito dos bancos é o crédito corporativo, que está estável do ponto de vista do spread.
Mais ainda: uma companhia brasileira "single A" [medida de risco dada por consultorias especializadas na análise de empresas] paga o mesmo spread de uma "single A" americana.
Para essa grande parte do ativo dos bancos, não existe uma pressão regulatória nem de mercado, nem o preço está errado.
A economia funciona realmente bem e a preços de padrão internacional. Isso está equacionado.
Na parte de crédito ao consumidor com garantia, também temos spreads parecidos com os internacionais. O financiamento de carro hoje é equivalente -em prazo, qualidade de garantia, tamanho de entrada e spread- ao do mercado internacional.
Talvez a discussão sobre spread esteja em um nicho muito específico de crédito ao consumidor, nos cartões e no cheque especial, em que o spread brasileiro é mais alto.
E no qual os bancos comerciais estão fazendo voluntariamente uma redução.
Mas essa é uma pequena parte do ativo dos bancos.
Se formos pensar, a única mudança regulatória de fato, recentemente, foi uma redução do compulsório.
Não vejo nada de intervenção ou de problema maior acontecendo.
O desafio maior é a adaptação a um ambiente de taxas de juros mais baixas, que traz desafios, mas também muitas oportunidades de negócios para os bancos.
Um exemplo é o desenvolvimento do mercado de capitais mais pungente, mais líquido. Este ano devemos ter recorde de emissões de debêntures, de securitização, o que é muito bom.
É uma mudança, mas na direção certa. Temos um sistema financeiro competente, sólido e se adaptando a padrões mais internacionais.