Prefeituras de PR e PE preparam parcerias público-privadas para lixo
As prefeituras de Maringá (PR) e Caruaru (PE) preparam editais de parcerias público-privadas para serviços de coleta e tratamento ... Ler mais
DE SÃO PAULO
Atualizado às 11h45.
Ativistas do MPL (Movimento Passe Livre) criticaram a atuação da Polícia Militar durante o protesto organizado pelo grupo na noite desta sexta-feira (25) em São Paulo. O ato, que terminou em confusão e depredação, deixou um coronel ferido e teve mais de 90 detidos.
Eles afirmam que a Tropa de Choque atacou os manifestantes quando eles já se preparavam para encerrar a manifestação, de forma pacífica, na região central de São Paulo na noite de sexta-feira (25).
O movimento, que organizou o ato pela gratuidade do transporte público, diz que fazia o que ele chama de "jogral de encerramento" nas escadarias da catedral da Sé quando os manifestantes foram atacados com bombas e balas de borracha.
Segundo o MPL, cerca de 1.500 pessoas participavam pacificamente da parte final do protesto.
De acordo com balanço da PM, 92 pessoas foram detidas. Elas foram levados para quatro distritos policiais: do 1º DP (Liberdade), 2º DP (Bom Retiro), 78º DP (Jardins) e 8º DP (Mooca).
Os integrantes do MPL conversaram com a Folha às 2h deste sábado (26) na porta do 1º DP, para onde 78 manifestantes detidos foram levados pela PM.
Quatro militantes do movimento estão entre os detidos. O MPL não quis informar seus nomes.
Na porta do 1º DP, cerca de 150 pessoas aguardavam na madrugada a libertação dos manifestantes. A maioria era de pais e familiares dos jovens detidos.
O protesto terminou com confronto entre manifestantes e policiais, atos de vandalismo e agressão a um coronel da PM.
O ato começou de forma pacífica na frente do Theatro Municipal e seguiu em passeata por ruas da região central.
A confusão começou por volta das 20h20, quando um grupo de adeptos da tática "black bloc" invadiu o Terminal Parque Dom Pedro e depredou 18 caixas eletrônicos e dois ônibus --um deles foi queimado. A PM respondeu com bombas. Telefones públicos ficaram destruídos, e extintores de incêndio foram usados para quebrar vidros e cabines de venda de bilhete do terminal.
O coronel da PM Reynaldo Simões Rossi foi espancado por um grupo de cerca de dez manifestantes adeptos do "black bloc" --que pregam o dano a patrimônio como protesto.
A agressão ocorreu na entrada do terminal. Em meio ao tumulto, um grupo de mascarados cercou o comandante e passou a agredi-lo com socos e pontapés. Ele foi derrubado, mas conseguiu se levantar. Neste momento, um dos mascarados golpeou o policial na cabeça usando uma chapa de ferro. Ele foi atingido na parte de trás da cabeça e teve a clavícula quebrada.
O coronel foi socorrido por um policial do serviço reservado da PM, à paisana, que afastou os agressores com uma arma em punho. Amparado por colegas, ele andou até um carro da PM. No banco de trás, fez um apelo aos gritos a um subordinado que ficou no local: "Segura a tropa, não deixa a tropa perder a cabeça".
O policial, que teve a arma roubada durante o ato, foi levado para o Hospital Clínicas.
Por volta das 21h, o grupo se dispersou por ruas da região, onde foram depredadas ao menos três agências bancárias, sendo elas dos bancos Safra, Banco Santander e Itaú. A PM usava bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.
Esse é o terceiro ato promovido pelo grupo nesta semana. Os dois primeiros ocorreram nas regiões do Grajaú e do Campo Limpo (zona sul) e pediam melhorias no transporte local.
O MPL foi o responsável pela onda de protestos ocorrida em junho e que causou a redução do preço da tarifa de ônibus em todo o país. Segundo o movimento, protestos em série ocorrem em outubro desde 2004, ano em que houve a "revolta da catraca", em Florianópolis, quando o MPL surgiu.