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Chamado de "profissional do crime" pelo Ministério Público, o empresário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza é acusado de ser o "pivô" do esquema do mensalão, principal escândalo do governo Luiz Inácio Lula da Silva, que começou a ser julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) há um mês e meio.
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Apesar de denúncias, Lula negou conhecer esquema do mensalão
| Marcelo Prates -2.dez.2012/Hoje em Dia/Folhapress |
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| O empresário Marcos Valério, réu no processo do mensalão |
Segundo a denúncia, Valério foi o responsável por levantar e distribuir os mais de R$ 135,9 milhões que abasteceram um esquema de compras de voto de parlamentares para o governo, no primeiro mandato do ex-presidente Lula.
Por sua atuação no mensalão, Valério é acusado 65 vezes por lavagem de dinheiro, 53 vezes por evasão de divisas, 11 vezes por corrupção ativa, 6 vezes por peculato (desvio de dinheiro) e por formação de quadrilha.
Até a sessão da última quinta-feira (13), a 23ª do julgamento, o empresário já foi condenado por lavagem, corrupção ativa e peculato. As penas e a quantidade de vezes que ele irá responder por cada crime só serão definidas no final do julgamento.
OPERADOR
Valério começou a se relacionar com os líderes do PT em 2002. Naquele ano, Lula ganharia a eleição presidencial, e o empresário usaria os serviços de suas agências de publicidade como pretexto para ser apresentado à cúpula do PT, incluindo o ex-ministro José Dirceu, a quem o Ministério Público chama de "chefe" da organização criminosa.
Em 2003, o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP) contratou Valério para sua campanha à Presidência da Câmara e, em seguida, a SMP&B conquistou o contrato de publicidade da Casa. A Procuradoria Geral da República diz que, além de não cumprir o contrato integralmente, a agência de Valério desviou cerca de R$ 1 milhão da Câmara.
De acordo com o Ministério Público, apenas no processo do mensalão que está sendo julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Valério viabilizou R$ 76,7 milhões por meio de contratos fraudulentos de sua outra agência, a DNA, com o fundo Visanet e o seu controlador, o Banco do Brasil. Outros R$ 32 milhões foram obtidos em empréstimos simulados com o Banco Rural. O restante do dinheiro que teria alimentado o esquema teve como origem o banco BMG.
Para procuradores, o empresário mineiro conquistou a participação dos banqueiros do Rural para o esquema em troca de promessas de aproximá-los do então ministro José Dirceu. O interesse do banco seria impedir a liquidação extrajudicial do Banco Mercantil de Pernambuco, do qual o grupo possuia 22% das ações.
Valério também teria sido responsável por levantar os recursos que abasteceram o chamado mensalão mineiro, processo que corre na Justiça Federal de Minas Gerais. O ex-procurador geral da República Antônio Fernando de Souza diz que Valério e seus sócios usaram a campanha do senador Eduardo Azeredo (PSDB) para o governo de Minas Gerais em 1998 como "embrião" do esquema desenvolvido com o PT.