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O número de consumidores que renegociaram suas dívidas e limparam o nome alcançou 3,2 milhões no primeiro bimestre deste ano. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (14) pela Boa Vista Serviços, administradora do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito).
O levantamento leva em conta as exclusões do sistema solicitadas pelas empresas assim que o consumidor quita a sua dívida. Esse é o maior volume de exclusões para o período desde 2005, quando se inicia a série histórica de medições da empresa. A Boa Vista não divulgou o número de consumidores que entraram no sistema no mesmo período.
Ainda de acordo com a empresa, o número de exclusões foi 5,9% superior ao primeiro bimestre do ano passado. Em 2011, o crescimento foi próximo a 14%.
Para o diretor de marketing da empresa, Fernando Cosenza, esse ritmo de crescimento é resultado do crescimento real da renda, acima da inflação, e dos bons níveis de emprego do país.
A base de cadastro da Boa Vista conta com cerca de 150 milhões de números de CPF. Desses, cerca de 30% (45 milhões) devem possuir alguma dívida ativa, informa o diretor de marketing da empresa, Fernando Cosenza.
A empresa divulgou também uma queda de 4,4% em fevereiro, em relação ao mês anterior, no número de novos registros de inadimplentes. A queda em relação ao mesmo mês do ano passado é de 5,5%. Já o acumulado dos últimos 12 meses mostrou crescimento de 2,1% em relação aos 12 meses anteriores.
O valor médio das dívidas em fevereiro foi de R$ 1.224, 1,34% maior que o de janeiro após ajustes de sazonalidade e de inflação.
A Boa Vista avalia que haverá baixo crescimento do número de inadimplentes ao longo deste ano. A previsão é a de que 2013 feche com um aumento de aproximadamente 2% no número de registros.
SAÚDE FINANCEIRA
Mesmo as pessoas dispostas a manter as finanças em ordem podem acabar caindo nas garras da inadimplência. "Seja por distração, falta de atenção ou até inconscientemente, algumas pessoas cometem erros que podem prejudicar suas contas", afirma a consultora financeira do Programa Finanças Práticas, Waldeli Azevedo.
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Entre os principais erros, a consultora cita considerar o ganho bruto como receita. De acordo com Waldeli, é preciso descontar do salário impostos e contribuições. A partir do valor que sobra, pode-se planejar o orçamento. Além disso, não se pode considerar o cheque especial e o limite do cartão de crédito como renda. São, na verdade, empréstimos que custam muito para o bolso.
A consultora aponta ainda que muitas pessoas ignoram o seu grau de endividamento. "É importante trocar a dívida mais cara pela mais barata e utilizar, quando preciso, a negociação como meio de saná-la."
Waldeli recomenda ainda que se registre até mesmo os menores gastos, se possível em uma planilha, que deverá ser acompanhada com frequência para controle dos gastos. "Não some as despesas em grupos, ou se perde a dimensão do quanto cada coisa pesa no bolso. Registre tudo individualmente."
O consultor Rafael Paschoarelli alerta que o consumidor não deve se deixar seduzir pelos anúncios de juro zero. "Os juros, na verdade, estão embutidos nas prestações."
Para quem não consegue controlar a carteira ele recomenda se livrar das tentações. "Deixe em casa os meios de pagamento mais dispendiosos, como o cartão de crédito com limite maior o talão de cheques."
NOME LIMPO
Limpar o nome e livrar-se das dívida é um processo simples, de acordo com Cosenza.
Em primeiro lugar é preciso informar-se sobre todos os débitos. "Cerca de 70% dos consumidores inadimplentes descobrem que são devedores quando precisam tomar algum tipo de empréstimo", afirma Cozenza.
O diretor orienta os consumidores a consultarem regularmente a situação de seu CPF, até mesmo para se prevenir quanto a fraudes,
Identificado o débito, o segundo passo é se programar para pagar.
"O consumidor deve planejar o pagamento do débito da mesma forma que se planejaria para fazer uma compra", explica Cosenza. "Deve-se perguntar quanto pode economizar para aquele compromisso. Que valor de parcela não comprometeria seu orçamento."
O terceiro e último passo é procurar o credor diretamente.
"Não autorize ninguém a fazer isso em seu nome. Ninguém melhor do que o próprio consumidor para saber qual é a melhor proposta para a renegociação."
É importante já apresentar uma proposta ao credor, para que ele tenha dimensão do quanto o consumidor poderá arcar da dívida e de que ele está disposto a quitá-la. Em casos de parcelamento da dívida, quanto maior for a entrada, melhores serão as condições de negociação para o consumidor.
Em mutirões de renegociação, os descontos nas dívidas podem chegar a 80%, segundo a Boa Vista. "Mas é importante saber que essas mesmas condições podem ser obtidas em negociações do dia a dia", completa Cosenza.
ALÍVIO NO BOLSO
A rolagem de uma dívida pode ser um verdadeiro desastre para qualquer orçamento familiar. Ainda que a taxa média de juros para pessoa física tenha caído --5,43% em janeiro para 5,42% em fevereiro-- e venha se mantendo no menor nível da série histórica (iniciada em 1995), o valor ainda é alto em comparação à Selic (taxa básica de juros no país).
Os dados são da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Desde julho de 2011, houve uma redução da Selic de 5,25 pontos percentuais, de 12,5% ao ano para 7,25% ao ano. Nesse período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma redução de 32,81 pontos percentuais, passando de 121,21% ao ano para 88,40% ao ano.