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DE SÃO PAULO
Atualizado às 16h42.
O jornalista Joelmir Beting, que morreu na madrugada desta quinta-feira, ficou marcado pela sua capacidade de "traduzir" o jargão econômico para o público em geral, mas deixou sua marca também no esporte.
Palmeirense declarado, Beting é tido com o criador da expressão "gol de placa", mas, como o próprio jornalista afirmou em uma entrevista para o programa "Jogo Aberto", da Band, ele criou apenas a placa do gol, em referência a um gol de Pelé no Maracanã, na vitória do Santos sobre o Fluminense, por 3 a 2, em março de 1961.
Na ocasião, Beting teve a ideia de dar uma placa para Pelé por causa do gol e, segundo o próprio jornalista, tirou dinheiro do seu próprio bolso para criar a placa e depois instalá-la no Maracanã.
A expressão "gol de placa" ficou famosa justamente a partir daí, já que a cada gol bonito os radialistas diziam que o tento valia uma placa.
Internado há mais de um mês no Hospital Albert Einstein, Beting estava em estado de coma, decorrente de um acidente vascular encefálico hemorrágico, ocorrido no último domingo (25) e respirava com auxílio de aparelhos. Ele morreu à 1h desta quinta-feira, aos 75 anos.
TRAJETÓRIA
Beting tornou-se jornalista alguns anos depois de desembarcar em São Paulo, segundo ele, "apenas com a roupa do corpo".
Vinha de Tambaú, onde chegou a trabalhar, até os 7 anos, colhendo jabuticabas e limões em fazendas, ao lado do pai e do irmão.
Também foi locutor-mirim na rádio local da cidade, com cerca de 7 mil habitantes na década de 50. A cidade chegou a 22 mil habitantes em 2010, último dado disponível do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Seu objetivo na capital paulista era se tornar jornalista. Após ingressar no curso de Sociologia na USP, trabalhou como estagiário em veículos esportivos como "Diário Popular" e "O Esporte".
Com a graduação concluída, em 1966, deu os primeiros passos na área econômica.
Beting trabalhava como redator em uma consultoria econômica, elaborando relatório de empresas, quando recebeu o convite para lançar uma editoria de automóveis no caderno "Classificados" da Folha.
Dois anos depois, assumiria a chefia da editoria de economia do mesmo jornal.
COLUNA
A primeira coluna diária foi publicada em 1970. Na Folha, os textos foram publicados até 1991. Entre este ano e 2004, seus textos foram veiculados em jornais nacionais como "O Estado de S. Paulo" e "O Globo".
O motivo para o fim das colunas nos diários impressos foi uma polêmica envolvendo sua participação em uma campanha publicitária do banco Bradesco, em dezembro de 2003.
Na época, Beting afirmou que não tinha vínculo empregatício com os jornais, o que o eximia de seguir as regras de conduta jornalísticas dos veículos.
"Houve julgamento preconceituoso, que tem como base um formalismo anacrônico", disse o jornalista em entrevistas, meses depois do episódio.
Estudioso, Beting tinha uma rotina pesada. "Trabalho e estudo 15 horas por dia, desde a infância em Tambaú."
O jornalista escreveu ainda os livros "Na Prática a Teoria é Outra" (1973) e "Juros Subversivos" (1985).
Beting deixa a esposa, Lucila, com quem era casado desde 1963, e os filhos Gianfranco e Mauro, este último também jornalista.