Prefeituras de PR e PE preparam parcerias público-privadas para lixo
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COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Atualizado às 13h54.
O movimento de consumidores no comércio caiu 1,4% em abril ante o mês passado, segundo indicador da Serasa Experian, empresa de informações financeiras, divulgado nesta quinta-feira (2).
Para economistas da Serasa, o motivo da baixa foi a alta da inflação, que afastou os consumidores das lojas, e o aumento da taxa básica de juros (taxa Selic), hoje em 7,5% ao ano.
É a maior queda desde o início do ano. Em março, a atividade do comércio teve alta de 1,2%, e, em janeiro, de 1,6%. Em fevereiro, houve um recuo de 0,5% (dados ajustados).
Menos da metade dos produtos da cesta básica está mais barata
Em comparação com o ano passado, abril teve uma alta de 10% no movimento do comércio. Em março, essa alta foi de 13,4% sobre o mesmo período do ano passado.
Os segmentos mais afetados foram os de móveis, eletroeletrônicos e informática (-3,0%) e de combustíveis e lubrificantes (-1,3%).
Outros segmentos que tiveram recuo foram os de supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-0,8%) e de veículos, motos e peças (0,6%).
Os únicos segmentos que registraram alta foram os de tecidos, vestuários e acessórios (1,0%) e o de material de construção (0,7%).
DÍVIDAS
Outro indicador divulgado nesta quinta-feira pela Fecomercio-SP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de SP) mostra que a disposição do paulistano para buscar financiamento caiu 9,8% em abril.
Em março o índice já havia registrado queda de 1,5%. Desde julho do ano passado, quando foi iniciada a Pesquisa de Risco e Intenção de Endividamento, a redução acumula quase 50%.
Segundo a Fecomercio-SP, o medo da inflação e seus possíveis efeitos no salário foram os principai motivos para a queda.
Foram entrevistados 2.200 consumidores para a pesquisa. Destes, 57% disseram ter dívidas em abril.
Para o educador financeiro Mauro Calil, a queda no consumo se explica pela inflação e pelo alto nível de endividamento das famílias.
"As famílias estão aprendendo que pagar juros é um péssimo negócio", diz Calil. "A inflação diminui o poder de compra, a capacidade salarial é a mesma." Já o aumento da taxa de juros, segundo ele, não foi tão significativo.
Para evitar que as dívidas corroam o orçamento, Calil sugere que o consumidor se autofinancie: ao invés de contrair uma dívida, ele deve guardar as parcelas em uma aplicação e comprar o produto quando tiver o dinheiro suficiente.
"Por exemplo, se você quiser comprar uma geladeira de R$ 2.400 no crédito com parcelas de R$ 200 por mês em 12 meses. O que você vai fazer? Vai pegar esses R$ 200 e colocar em uma caderneta de poupança. Você parcelou da mesma forma, mas ao invés de pagar, você vai receber os juros", diz Calil.
Via regra, diz Calil, o produto estará mais barato e ainda é possível um desconto maior.
JUROS A PESSOAS FÍSICAS
Especialistas ouvidos pela Folha destacam que o juro cobrado de pessoas físicas é bem mais alto que a Selic e que é preciso ter cuidado para não perder o controle.
As tabelas a seguir, feitas pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), trazem alguns exemplos de taxas de empréstimos com o juro básico atual.
TAXA DE JUROS A PESSOA FÍSICA
| Linha de crédito | Taxa ao mês, com Selic em 7,50% ao ano |
|---|---|
| Juros comércio | 4,02% |
| Cartão de crédito | 9,39% |
| Cheque especial | 7,74% |
| CDC -bancos- financiamento de automóveis | 1,54% |
| Empréstimo pessoal -bancos | 2,93% |
| Empréstimo pessoal-financeiras | 6,90% |
| Taxa média | 5,42% |
EXEMPLOS DE IMPACTO EM FINANCIAMENTO
Compra de geladeira de R$ 1.500 em 12 parcelas
| Selic, em % ao ano | Juro mensal, em % | Valor da parcela, em R$ | Total pago, em R$ |
|---|---|---|---|
| 7,5 | 4,02 | 160,01 | 1.920,17 |
Compra de veículo de R$ 25 mil em 12 parcelas
| Selic, em % ao ano | Juro mensal, em % | Valor da parcela, em R$ | Total pago, em R$ |
|---|---|---|---|
| 7,5 | 1,54 | 641,38 | 38.482,90 |
Empréstimo pessoal de R$ 500 em financeira em 12 parcelas
| Selic, em % ao ano | Juro mensal, em % | Valor da parcela, em R$ | Total pago, em R$ |
|---|---|---|---|
| 7,5 | 6,9 | 62,62 | 751,39 |
Para William Eid, professor de finanças da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da FGV (Fundação Getúlio Vargas), é vantajoso pagar à vista, negociando descontos sempre que possível.
"Quando se pretende comprar um bem de consumo durável, como uma geladeira, o melhor é se programar, abrir uma poupança e guardar dinheiro até conseguir comprar o produto", afirma.
Veja 10 passos para evitar o superendividamento
Caso o consumidor já tenha dívidas que possam sair de controle, os especialistas recomendam o crédito pessoal. "Trocando de dívida, é possível pegar um crédito mais barato", diz Eid. Ele ressalta que, mesmo nessa modalidade, convém pesquisar nos bancos para encontrar a menor taxa.
Quanto ao cheque especial e o rotativo do cartão de crédito, a recomendação é evitar. "São produtos para um período muito curto, no máximo alguns dias", afirma Oliveira.