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Atualizado às 15h20.
O banqueiro Luis Octavio Indio da Costa, ex-presidente do Cruzeiro do Sul, foi multado em R$ 300 mil pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nesta terça-feira (13) por não ter soltado fato relevante ao mercado após divulgação pela imprensa de que o banco negociava a compra do Prosper, no ano passado.
Indio da Costa, ex-presidente do Cruzeiro do Sul, sai do Cadeião
Banqueiro mandava vender fundo sem avisar do risco
Ex-donos do Cruzeiro do Sul são suspeitos de desviar até R$ 1 bi
A negociação foi depois barrada pelo BC, que ordenou a liquidação das duas instituições.
Luis Octavio, que estava preso no Cadeião de Pinheiros, foi solto na sexta-feira após conseguir habeas corpus na Justiça. Sua prisão preventiva foi decretada a pedido da PF (Polícia Federal) devido ao receio de o banqueiro evadir divisas durante as investigações sobre possíveis fraudes cometidas pelo Cruzeiro do Sul.
| Raimundo Pacco/Folhapress | ||
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| O ex-presidente do banco Cruzeiro do Sul, Luis Octávio Indio da Costa |
Ele estava preso desde 22 de outubro por ordem da 2ª Vara Criminal Federal de São Paulo. O inquérito policial que o investiga tramita na Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros.
Luis Octavio é suspeito de crimes contra o sistema financeiro, crimes contra o mercado de capitais e lavagem de dinheiro, segundo a PF, e pode pegar entre um e 12 anos de prisão, caso seja condenado.
Segundo o advogado Roberto Podval, que defende Indio da Costa, não tinha sentido o banqueiro ficar preso enquanto aguarda a conclusão do inquérito administrativo. "Ele nem foi ouvido ainda nesses inquéritos", disse Podval.
O pai do banqueiro, Luis Felipe, é mantido em prisão domiciliar, em sua casa, no Rio.
FRAUDE
O inquérito foi instaurado em junho de 2012 após o BC constatar fraudes contábeis e indícios de operações de crédito fictícias no Cruzeiro do Sul.
Segundo a PF, ao longo da investigação foram detectados outras condutas criminosas em fundos de investimento, que deixaram como vítimas dezenas de investidores.
Antes da crise do Cruzeiro do Sul, o banqueiro ficou conhecido pelas festas dadas a até mil convidados em sua casa, em Cotia (região metropolitana de São Paulo).
Em 2009, patrocinou um show com cantor americano Tony Bennett em comemoração dos 15 anos do banco e um concerto com o britânico Elton John na Sala São Paulo. Também namorou a apresentadora Daniela Cicarelli.
Antes de liquidar o Cruzeiro do Sul, o Banco Central nomeou como interventor o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), com a missão de encontrar um comprador e de negociar com os credores.
O fundo chegou a propor um "perdão" de 49% para os credores, mas a operação não foi adiante pela falta de um comprador para o banco.
A venda do banco foi inviabilizada por uma série de questões legais e comerciais. O negócio de crédito consignado já não atraia mais os grandes bancos, que podem fazer esses empréstimos com menor custo nas agências.
O comprador teria ainda de trazer pelo menos R$ 700 milhões ao Cruzeiro do Sul. O que mais interessava era um crédito tributário que poderia chegar a R$ 1 bilhão, mas esse crédito foi calculado com base em empréstimos que são contestados.
COBERTURA
Segundo o BC, cerca de 35% dos depósitos do banco contavam com garantia do FGC. O fundo cobre CDBs em até R$ 70 mil por CPF e até R$ 20 milhões para as aplicações que contavam com seguro especial (o DPGE).
Com a liquidação, o banco deixou de funcionar operacionalmente. As unidades do Cruzeiro do Sul foram fechadas, e a maioria dos funcionários, dispensada. As ações perderam todo o valor e deixaram de ser negociadas na Bolsa.
O trabalho em curso do liquidante é fazer um inventário de tudo o que pode ser vendido e convertido em dinheiro para pagar os credores. Os primeiros a receber são os funcionários.