Prefeituras de PR e PE preparam parcerias público-privadas para lixo
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SHEILA D'AMORIM
DE BRASÍLIA
Depois de digerir as perdas da safra de empréstimos ruins concedidos a partir de 2009, os bancos estão com mais capital para emprestar, na avaliação da equipe econômica do governo que, com base nisso, mantem o crédito ao consumo e às empresas como principal aposta para puxar um crescimento mais forte no ano que vem.
Para o governo, 2012 foi o "fundo do poço", quando o sistema financeiro se livrou de créditos originados sobretudo em 2010, para compra de veículos. Agora, os calotes estariam dando lugar a empréstimos concedidos com mais rigor e melhor análise da capacidade de pagamento dos consumidores.
Ao mesmo tempo, acredita-se que as famílias também estão colocando suas dívidas em dia e que ainda há espaço para crescimento dos empréstimos em vários segmentos de forma acelerada no ano que vem.
O diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, defendeu as possibilidades de crescimento dos empréstimos para a compra da casa própria, lembrando que, no Brasil, eles ainda respondem por menos de um quarto do estoque de crédito destinado às pessoas físicas.
Ele destacou que o crédito imobiliário "resulta na substituição do aluguel por uma prestação, com o benefício adicional de aumento do patrimônio dessas famílias". Com isso, o endividamento não cresce.
"Além de possível, a continuidade da expansão do mercado de crédito é desejável, haja vista sua importância para que se confirmem as perspectivas de que o Brasil experimente, nos próximos anos, um ciclo de crescimento sustentado e duradouro", afirmou Meirelles.
José Urbano Duarte, vice-presidente de Governo da Caixa Econômica, destaca que, ao contrário do que ocorria há quatro anos, hoje a maior parte dos financiamentos imobiliários concedidos pelo banco (70%) são direcionados à compra de imóveis novos, o que potencializa o impacto sobre a atividade econômica.
No caso do crédito consignado (com desconto em folha), o governo argumenta que a modalidade ainda é praticamente inexplorada na iniciativa privada e, entre os aposentados, incluindo os do INSS e do setor público, metade ainda não faz essas operações.
ENDIVIDAMENTO
A expectativa de crescimento acelerado do crédito é contestada por especialistas, já que o endividamento das famílias com bancos atingiu este ano maior nível desde o início de 2009 e equivale a quase metade da renda acumulada em 12 meses.
Somente no primeiro semestre deste ano, os empréstimos atrasados que os bancos foram obrigados a registrar como prejuízos cresceram 39% em relação ao mesmo período de 2011, já descontada a inflação do período. Isso significou R$ 38 bilhões, conforme noticiou a Folha.
EMPRESAS
A expansão do crédito até agora foi muito voltada para o consumo e é preciso que ela se dê também no crédito ao apoio ao investimento, afirmou Dyogo Oliveira, secretário-executivo adjunto do Ministério da Fazenda.
Entre as iniciativas para estimular o mercado de crédito, a Fazenda vem trabalhando em algumas propostas para reduzir a burocracia e dar maior transparência aos registros de ônus ou pendências (gravames) de ativos negociados.
Além disso, o ministério já tem pronto um projeto para regulamentar as empresas de factoring.
"Pretendemos que o Brasil continue tendo uma expansão de crédito robusta e condizente com a necessidade de crescimento da economia", afirmou Oliveira.