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Atualizado às 09h42.
Fracassam as negociações com o Banco Santander, o último interessado, para evitar a liquidação do Banco Cruzeiro do Sul.
Sem um comprador, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) deve recomendar ainda hoje ao Banco Central a liquidação do banco, que teve rombo contábil de R$ 3,1 bilhões e está com patrimônio negativo.
As negociações com o Banco Santander se estenderam até a noite de ontem, mas não tiveram um desfecho favorável.
Apesar do fracasso em encontrar um comprador, as negociações com os credores foram bem e quase 90% aceitaram o desconto de 49,3% no valor das dívidas. Para evitar a liquidação, o FGC tinha de encontrar um comprador e negociar com os credores um perdão na dívida.
Se o banco for mesmo liquidado, o que pode acontecer ainda hoje, os credores terão de reclamar na Justiça esses pagamentos.
O FGC garante a cobertura integral de depósitos até R$ 70 mil e mais os CDBs que foram comprados com garantia especial, conhecidos como DPGE.
Com a liquidação, o FGC deve desembolsar R$ 1,9 bilhão para essas coberturas.
NEGOCIAÇÕES
Cinco bancos se credenciaram para analisar os dados estratégicos do Cruzeiro do Sul, mas três desistiram na semana passada por achar o negócio arriscado.
Nesta semana, só o Bradesco ainda participava das negociações. O BTG Pactual, que era visto como um dos favoritos, também desistiu de fazer uma oferta. Na última hora, negociadores foram atrás do Santander, que aceitou discutir o assunto.
Um dos entraves era a dúvida quanto ao valor de benefício fiscal que poderia ser apurado no caso da compra. As estimativas iniciais eram de até R$ 1 bilhão em economia de impostos nos próximos anos. O problema é que esse benefício fiscal foi calculado com base em dados que são contestados.
O comprador teria ainda de trazer pelo menos R$ 700 milhões ao Cruzeiro do Sul.
O rombo financeiro é decorrente de mais de 300 mil empréstimos consignados fictícios, maquiagem de balanço, entre outros crimes.
O principal negócio do Cruzeiro do Sul é o crédito consignado, que não motiva mais aos grandes bancos comprarem instituições menores porque eles próprios estão fazendo essas operações, com custos menores. Além do consignado, o banco tem uma corretora e uma gestora de fundos.
Ontem, as ações do banco subiram quase 25% com o otimismo dos investidores após a adesão dos credores e com a negociação com o Santander.
Procurado, o Banco Central ainda não se manifestou sobre a provável liquidação do Cruzeiro do Sul.