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O advogado Rogério Tolentino, ex-sócio de Marcos Valério, criticou nesta quarta-feira o seu julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) pela acusação de participação no esquema do mensalão.
Tolentino afirmou que não poderia ser julgado na ação penal do mensalão (470), mas em outra ação penal, a 420, que trata dos empréstimos feitos pelo banco BMG. "Isso é uma heresia jurídica", afirmou.
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Ele é acusado pela Procuradoria-Geral da República de ter usado sua empresa para receber um empréstimo de R$ 10 milhões do Banco BMG para abastecer o mensalão. Até agora, ele já foi condenado por lavagem de dinheiro e ainda será julgado por corrupção ativa e formação de quadrilha.
Numa conversa no fim desta tarde na frente de seu escritório em Belo Horizonte, onde Valério tem uma sala e às vezes cumpre expediente, Tolentino criticou sua recente condenação pelos ministros do STF por lavagem de dinheiro. "Fui condenado indevidamente", afirmou. "Por causa do empréstimo caí de sola dentro do processo do mensalão", disse, em sua primeira declaração pública após a condenação na semana passada.
Na conversa nesta quarta-feira, disse que está preparado para a prisão. "Sou realista. Se for pra acontecer, o que posso fazer?", indagou. "De repente pode ser uma reclusão, pode não ser. Se for mandar me recolher, como diz o ministro Marco Aurélio, o Supremo tem o privilégio de errar por último".
Ele mantém a versão de que apenas ajudou Valério a obter o empréstimo junto ao BMG, mas que não participou dos repasses do dinheiro a partidos políticos. No caso de seu empréstimo, parte do dinheiro foi parar no PP. Na época da revelação do escândalo, ele atuava como advogado das empresas de Valério, de quem chegou a ser sócio numa consultoria.
Para Tolentino, sua conduta deveria ser julgada apenas na Justiça Federal de Minas, onde corre a ação penal 420. Esse processo estava no STF até o começo de 2011, mas voltou à primeira instância federal, porque o único réu que tinha foro privilegiado, o então deputado José Genoino (PT), deixou de ser parlamentar.
"Ali (ação penal 420) você pode me mandar para Guatánamo (prisão dos EUA) se você quiser. Pode me condenar? Pode", afirmou. "Você não pode é na ação 470. Condene o Tolentino à forca, mas na 420", disse o advogado. Segundo ele, o julgamento agora no STF é "invasão de jurisdição".
O advogado não quis comentar a situação de Marcos Valério, nem as recentes declarações atribuídas a ele pela revista Veja sobre a ligação do ex-presidente Lula com o mensalão. "O que o Marcos acha ou deixa de achar, o que ele sabe, eu não sei, isso é problema dele", afirmou. "Valério está tentando equacionar a vida dele no meu escritório. Ele fica examinando as coisas dele e eu fico cuidando da minha", afirmou.
| Alan Marques/Folhapress | ||
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| Rogério Tolentino, ex-sócio de Valério, réu no processo do mensalão |