GUTO GONÇALVES
da Folha Online
O ex-presidente da cooperpas 14 (Ermelino Matarazzo) Luiz Matone afirmou ontem na CPI do PAS que sabia que os empréstimos contraídos pelas cooperativas nos bancos Pine e Schain Cury eram irregulares, porém como tinha o aval da prefeitura não teve receio de concluir a transação. O módulo 14 fez empréstimos de R$ 6,1 milhões.
A CPI do PAS começou a investigar na última segunda-feira os empréstimos contraídos pelas cooperativas do PAS (Plano de Atendimento à Saúde) e que teriam sido pagos irregularmente pela prefeitura.
Em depoimento ontem, o ex-presidente da cooperpas 6 (São Miguel) Vanderlei D'Angelo disse que o ex-secretário da Saúde Masato Yokota, em reunião em seu gabinete com os presidentes de cooperativas, obrigou a realização dos empréstimos nos bancos Pine e Schain Cury. Masato definiu os valores que deveriam ser requeridos, as datas e os horários que eles deveriam comparecer aos bancos para assinar os contratos.
Matone confirmou as informações de D'Angelo e disse que o ex-secretário de Finanças José Antônio de Freitas também participou da reunião.
Na época sabíamos que o Yokota tinha sido indicado para o cargo ao ex-prefeito Celso Pitta pelo deputado federal Delfim Netto (PPB-SP), disse ex-presidente da cooperas 14.
Histórico
No total, 12 módulos do PAS contraíram os empréstimos no valor total de R$ 56,2 milhões, sendo que são R$ 49 milhões líquidos e R$ 7,2 milhões de encargos. Os avalistas eram os presidentes e vice-presidentes das cooperativas.
Segundo documentos recolhidos pela CPI, o avalista dos empréstimos era a própria prefeitura, que teria um esquema montado com os bancos Pine e Schain Cury pela Secretária municipal de Saúde e de Finanças.
Cópias de cheques microfilmados mostram que o valor dos empréstimos, acrescentado dos juros, foi parar na conta das cooperativas que repassaram o valor para os bancos Pine e o Schain Cury.
O Tribunal de Contas do Município, em 99, considerou a operação ilegal uma vez que a prefeitura jamais poderia arcar com os encargos financeiros desses empréstimos. A Lei Orgânica do Município determina que apenas a Câmara Municipal pode deliberar sobre operações de crédito quando envolver verbas públicas.
A reportagem não conseguiu localizar o ex-secretário Masato Yokota para responder sobre as acusações.
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