DENYSE GODOY
da Folha Online
O dólar comercial perdeu um pouco do fôlego após ter subido mais de 1% logo após a abertura com novas captações de bancos brasileiros. O Itaú deve fechar hoje uma captação de US$ 200 milhões e o Bic Banco, outra de US$ 10 milhões.
A moeda norte-americana é negociada a R$ 2,869, com valorização de 0,42%, e o vencimento amanhã de contratos cambiais não renovados pelo Banco Central explica a elevação das cotações.
Na semana passada, o BC rolou apenas 52,4% da dívida de US$ 2,719 que vence amanhã e terá que resgatar o restante amanhã. Esses títulos serão resgatados pela Ptax (cotação média do dólar) de hoje, por isso bancos e investidores tentam empurrar a moeda para cima.
O dólar relativamente barato continua atraindo compradores. Quem tem compromissos a saldar lá fora --especialmente empresas importadores-- e investidores aproveitam para encher o cofre, por conta da expectativa de que as cotações avancem nos próximos dias. O mercado financeiro considera R$ 2,85 como piso informal para a moeda.
Todas as atenções do mercado estão voltadas ao trâmite das reformas. Ontem, após reunião entre os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Previdência, Ricardo Berzoini, os líderes do governo na Câmara, e uma comissão de cinco governadores foi decidido que a nova proposta da reforma previdenciária deve ter o aval de todos os 27 governadores.
A sua resposta deve ser dada até a noite de hoje, e por isso a apresentação do relatório sobre a reforma pelo deputado José Pimentel (PT-CE), relator da proposta, foi adiada para amanhã, às 11h.
Hoje os líderes dos partidos que compõem a base de apoio ao governo Luiz Inácio Lula da Silva se reuniram para discutir as eventuais alterações e afirmaram que não abrem mão da aposentadoria integral para os atuais servidores públicos e aumentos equivalentes para funcionários da ativa e aposentados, apesar da resistência dos governadores à paridade.
Como já se esperava, os debates em torno das reformas têm se intensificado, mas não devem estressar os investidores. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, mesmo com algumas mudanças, os pontos principais dos projetos serão mantidos e as reformas devem ser aprovadas até outubro.
O dólar comercial futuro (agosto) sobe 0,13%, para R$ 2,888. O turismo é vendido a R$ 2,95, com alta de 1,37%, e o paralelo sobe 0,34%, para R$ 2,95.
O risco-país recua 0,49%, para 805 pontos. O C-Bond, principal título da dívida externa do país, é negociado a 87,125% do valor de face, em queda de 0,43%.
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