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ANDERSON FIGO
DE SÃO PAULO
A perspectiva de que a taxa básica de juros brasileira volte a dois dígitos e de que esteja próximo um acordo entre republicanos e democratas nos Estados Unidos sobre o aumento do teto da dívida do governo fizeram o dólar fechar esta quinta-feira (10) em queda, para o menor patamar em quase quatro meses.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve queda de 1,33% em relação ao real, cotado em R$ 2,178 na venda --menor cotação desde 19 de junho deste ano, quando estava em R$ 2,177. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, caiu 1,13%, a R$ 2,181 --menor valor desde 18 de junho deste ano, quando estava em R$ 2,178.
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De acordo com especialistas ouvidos pela Folha, apesar de a elevação do juro básico feita pelo Banco Central ontem ter vindo em linha com o esperado, surpreendeu a manutenção do comunicado da autoridade, que voltou a indicar que seguirá subindo a Selic para conter a inflação no país.
"A taxa de juros pode voltar a dois dígitos, o que atrairia mais investimentos externos para o Brasil e, consequentemente, mais dólares. Com a oferta maior da moeda americana, a cotação tende a cair", explica Guilherme Prado, especialista em câmbio da Fitta DTVM.
Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, a alta da Selic a dois dígitos quebraria uma "barreira psicológica" dos investidores externos, que não se sentiram tão atraídos em voltar a aplicar no Brasil diante das elevações anteriores da taxa.
"O cenário interno não mudou nada, continuamos com fraco crescimento, inflação elevada e gastos excessivos. O mercado estrangeiro precisa de algo que o estimule a tomar o risco de aplicar nesse cenário, que é uma taxa de retorno maior, de dois dígitos", afirma Galhardo.
Contribuiu para a expectativa o fato de que, nesta semana, o governo deu aval ao BC para subir a Selic a dois dígitos, com avaliação de que uma inflação em alta causa mais estragos para a imagem da presidente Dilma que a elevação da taxa.
Para Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs, o fato de o comunicado do BC ter permanecido inalterado "deve ser visto como uma forte indicação de que o Copom [Comitê de Política Monetária do BC] vai considerar seriamente aumentar, novamente, em 0,50 ponto percentual a Selic, levando-a a dois dígitos em novembro."
O economista-chefe do Itaú Ilan Goldfajn, diz que mantém, "por ora", a expectativa de um ajuste adicional de 0,25 ponto percentual na Selic em novembro, dado o crescimento moderado e a estabilidade recente da taxa de câmbio.
"No entanto, reconhecemos que a manutenção do comunicado aumenta a probabilidade do ciclo se prolongar para além de 10%, ao passo atual de 0,50 ponto percentual. Esperaremos a ata desta reunião, na próxima quinta-feira, para entender melhor os próximos passos que deverão ser dados pelo Banco Central", completa.
ESTADOS UNIDOS
Também colaborou para a queda do dólar hoje sinais de progresso nas negociações sobre o impasse fiscal nos Estados Unidos, onde republicanos e democratas parecem estar entrando em acordo sobre a elevação do teto da dívida do país e a aprovação do orçamento público para o ano fiscal.
Após republicanos terem afirmado que apoiariam um aumento de curto prazo no limite da dívida do governo dos EUA para permitir uma negociação mais ampla sobre o orçamento americano, as Bolsas do mundo inteiro fecharam em alta.
Aqui, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, teve avanço de 0,85%, a 52.996 pontos. Nos EUA, o índice Dow Jones ganhou 2,18%, a 15.126 pontos. Já o S&P 500 também fechou o dia com valorização de 2,18%, a 1.692 pontos. Ambos os índices tiveram a maior valorização desde 2 de janeiro deste ano, quando subiram cerca de 2,5%.
O termômetro americano de tecnologia Nasdaq encerrou a quinta-feira em alta de 2,26%, a 3.760 pontos.
"O ânimo foi generalizado porque um calote dos EUA seria péssimo para o mundo inteiro, e o prazo para que isso acontecesse se encerraria na semana que vem", diz Carlos Manoel, estrategista da Lopes Filho. "Os EUA deixariam de pagar seus principais credores, como a China, criando um efeito em cadeia no mundo todo", acrescenta.