SÉRGIO RIPARDO
da Folha Online
Pelo segundo dia consecutivo, o governo conseguiu evitar que o dólar fechasse abaixo do patamar psicológico de R$ 2,60. Se isso ocorresse, seria a primeira vez em dois anos e meio. O Banco Central fez hoje a primeira intervenção no mercado de swap cambial e também comprou divisas.
A moeda americana encerrou com uma pequena alta de 0,22%, vendida a R$ 2,616. No começo dos negócios, a cotação chegou a subir quase 1% na máxima de R$ 2,635. Mas as vendas de divisas por exportadores e o anúncio da captação externa do Banco BGN (US$ 50 milhões, acima do esperado) fizeram o dólar reduzir o ritmo de alta ao longo dos negócios.
Pela primeira vez em duas semanas, a moeda americana operou o dia inteiro em alta, sem registrar baixa. Na véspera, o dólar ameaçou cair abaixo dos R$ 2,60, mas o Banco do Brasil entrou comprando divisas para o governo em um intervenção branca, segundo operadores, o que estabilizou a moeda.
No final da noite de ontem, temendo que o dólar descesse a ladeira abaixo dos R$ 2,60, o BC anunciou um reforço na sua política de intervenções, cujo objetivo declarado é reduzir a dívida do governo corrigida pelo dólar, embora analistas vejam como uma medida extra para conter a valorização do real.
Nesta quarta-feira, o BC realizou, com sucesso, o primeiro leilão de swap cambial e, em outro leilão, também adquiriu divisas pagando taxa de R$ 2,62. Como queria o BC, no leilão de swap, foram vendidos 8.000 contratos --todo o lote ofertado. A operação movimentou US$ 387,8 milhões. Houve uma forte demanda dos bancos por esses novos papéis oferecidos pelo governo no mercado de derivativos de câmbio.
Com quatro vencimentos (julho deste ano, janeiro de 2006, 2007 e 2008), esses contratos oferecem aos investidores uma oportunidade de ganhos com a variação futura da taxa básica de juro (Selic), que está em alta no país desde setembro e deve continuar nos próximos meses.
Ou seja, quando o papel vencer, o BC pagará ao investidor uma remuneração atrelada à taxa Selic. Quanto mais ela sobe, maior é o ganho obtido pelo detentor do contrato. Atualmente, bancos e fundos estrangeiros procuram fazer esse tipo de aplicação, de olho nos lucros.
Hoje um dos efeitos da corrida dos estrangeiros para comprar títulos brasileiros vinculados aos juros é a queda do dólar, pois esse grupo de investidores precisa dispor de reais para montar essas operações de renda fixa no mercado doméstico.
Para conter essa enxurrada de dólares, também provocada pelas captações de recursos no exterior por empresas e bancos brasileiros, o BC decidiu enxugar o excesso de contratos atrelados à variação do dólar.
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