SÉRGIO RIPARDO
da Folha Online
O dólar desceu a ladeira nesta manhã e ficou abaixo do patamar psicológico dos
R$ 2,60 pela primeira vez em dois anos e meio. Em queda de 0,76%, a moeda norte-americana é vendida a R$ 2,596, menor valor desde o último dia 3 de junho de 2002 (R$ 2,536). No começo dos negócios, chegou a valer só R$ 2,591 --baixa de 0,95%.
O novo tombo da cotação ocorre um dia após o Banco Central reforçar seu arsenal de intervenções no mercado de câmbio com a realização de um leilão de swap, no qual vendeu 8.000 contratos de quatro vencimentos (julho próximo a janeiro de 2008) que pagam ao investidor a variação dos juros, em troca da variação do dólar. Esse tipo de leilão só será realizado uma vez na semana.
Também o BC deve continuar diariamente, com exceções técnicas (feriados locais e véspera de vencimento de dívida), os leilões de compra de divisas no mercado à vista, a fim de reforçar as reservas em moeda estrangeira do país.
Essas medidas do BC surtem pouco efeito devido ao tsunami de dólares que inundou o mercado brasileiro. Alguns relatórios de bancos já falam na possibilidade de o dólar se aproximar de R$ 2,50 nas próximas semanas. A oferta da moeda é crescente e favorece a abaixa das cotações. Bancos, empresas e o próprio governo estão captando bastante recursos no exterior com facilidade.
A queda do risco Brasil favorece a tomada de empréstimos no exterior. Ontem, o Banco BGN, da empreiteira pernambucana Queiroz Galvão, concluiu uma captação de US$ 50 milhões, acima do previsto. No mês passado, lançaram captações os bancos Itaú (US$ 125 milhões), Votorantim (US$ 100 milhões) e Cruzeiro do Sul (US$ 17 milhões), entre outros.
Na última segunda-feira, o governo brasileiro fez sua segunda captação no ano, lançando US$ 1,250 bilhão com bônus de 20 anos. Na terça-feira, foi a vez do Bradesco, maior banco privado do país, concluir uma captação externa de US$ 100 milhões, o dobro da oferta inicial (US$ 50 milhões). Isso ocorreu devido ao excesso de demanda.
Investidores estrangeiros também estão trazendo seus dólares para o Brasil, a fim de aplicar recursos em ações e títulos de renda fixa, principalmente aqueles que remuneram pelos juros, que estão em alta desde setembro. O vigor das exportações se mantém, apesar da queda do dólar, já que o comércio exterior fecha seus contratos com antecedência, ou seja, a baixa cotação deste mês só deve ser usada para fechar contratos a partir de abril.
Nesta quinta-feira, o dólar no Brasil deixou de acompanhar a tendência internacional. Lá fora, a moeda americana registra valorização frente ao euro, com os investidores reagindo favoravelmente ao discurso feito ontem à noite pelo presidente Bush, que prometeu, de novo, tomar medidas para reduzir o déficit externo do país.
A decisão do Fed (Federal Reserve, o banco central americano) de elevar os juros pelo sexto mês --de 2,25% para 2,50%-- também é favorável ao fluxo de capital para os países emergentes, como o Brasil. O Fed não sinalizou disposição de aumentar o ritmo do processo de aumento dos juros, como se temia no início de janeiro. O risco Brasil cai 1,64%, aos 418 pontos. O Ibovespa começou o pregão em alta de 0,49%, aos 24.727 pontos.
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