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Na tentativa de desqualificar o trabalho da Procuradoria Geral da República, a defesa de Rogério Tolentino chamou a denúncia contra os réus do mensalão de "um roteiro de novela das oito" para criar um "quadrilhão de 40".
"Foi pegando aqui, pegando ali, e chegou num astronômico número de 40. Não sei. A impressão é que quando ia sendo feita a denúncia, algum auxiliar da procuradoria começou a tomar nota de quem recebeu dinheiro. Para criar o quadrilhão. Tem um quadrilhão de 40. Mas eu não vou criticar a denúncia", afirmou o advogado Paulo Sérgio Abreu e Silva aos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) na tarde desta quarta-feira (7).
O tribunal começou o quarto dia de julgamento. Abreu e Silva afirmou que Tolentino era somente o advogado das empresas de Marcos Valério, apontado como o operador do esquema do mensalão.
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A Procuradoria argumenta que Rogério Tolentino era sócio informal do publicitário e teria ajudado a montar o esquema de distribuição de recursos para políticos.
Ele foi acusado, por exemplo, de ter conseguido um empréstimo no Banco BMG, no valor de R$ 10 milhões, e distribuído para os então deputados Pedro Henry, Pedro Corrêa e José Janene.
Seu advogado, no entanto, afirmou que o empréstimo, apesar de efetivamente tomado, com garantias, simplesmente foi entregue, por meio de três cheques em branco, para Marcos Valério.
"Rogério confessa que tomou empréstimo de R$ 10 milhões. Confessa. No Banco BMG e tomou a pedido da SMP&B. R$ 10 milhões, importância relativa, bem alta. Mas o empréstimo foi calçado com CDB. Ai até eu tiraria o empréstimo", disse o advogado.
"Ele [Tolentino] vai à empresa e deixa, através de Marcos Valério, faz três cheques assinados em branco. Posteriormente, Marcos Valério chama Simone Vasconcelos e pede para preencher os cheques com importâncias diversas."
Sobre a acusação de lavagem de dinheiro, Abreu e Silva argumenta que tratava-se na realidade de caixa 2.
"Ele me afirmou que recebia honorários da SMP&B num famoso caixa 2 pessoa física e ele não contabilizava. Mas vamos ver se isso permite uma lavagem. Não existe nos autos nenhuma prova que esse dinheiro fosse para uma terceira pessoa. O Rogério recebeu essas importâncias e as colocou as colocou no colo dele, gastou com ele. Onde é que tem lavagem? A SMP&B tratava com grandes empresas, grandes contratos. A empresa pagou o Rogério sem nota. Caixa 2, caixa 2, e eu mostrei para ele. Isso é caixa 2, isso é perigoso", argumentou.