Prefeituras de PR e PE preparam parcerias público-privadas para lixo
As prefeituras de Maringá (PR) e Caruaru (PE) preparam editais de parcerias público-privadas para serviços de coleta e tratamento ... Ler mais
TONI SCIARRETTA
DE SÃO PAULO
Começou às 10h30 a assembleia dos credores da Daslu, onde deve ser definido o futuro da maior butique de luxo do país. Um grupo de credores -- liderados pelo banco Daycoval, pela construtora WTorre e pela empresa de comércio exterior Columbia Trading -- chegou a propor a suspensão da assembleia para que todos conhecessem uma avaliação da marca. No entanto, a proposta do grupo não foi aceita porque uma parte expressiva dos trabalhadores votou pela continuidade da assembleia, assim como o HSBC, principal credor com garantia.
No encontro de hoje será apresentada uma proposta para avaliação dos credores que podem ou não aprovar o plano de recuperação judicial, apresentado em julho do ano passado à Justiça. As dívidas da loja chegam a R$ 80 milhões.
A assembleia é uma tentativa de evitar a falência da marca. A megabutique, alvo de operação da Polícia Federal, pode passar das mãos da empresária Eliana Tranchesi para um novo investidor.
Com a continuidade da assembleia, é provável que o plano de recuperação judicial proposto seja aprovado hoje. Se for aprovado, à assembleia será apresentada então as propostas de investimento por parte dos novos donos.
O plano discutido prevê um deságio de 60% no valor das dívidas. O único interessado na aquisição da Daslu seria o empresário Marcus Elias, dono do Laep Investments, fundo que também comprou a Parmalat durante o processo de recuperação judicial da empresa.
PROPOSTA
O plano de recuperação judicial prevê a criação de uma nova empresa, a SPE UPI (Unidade Produtiva Isolada), que será dona da marca Daslu e de uma das lojas (ainda não está definida qual unidade, mas o mais provável é que seja a loja do Shopping Cidade Jardim). A unidade adquirida por um novo investidor -- caso metade dos credores aprovem o plano -- ficará com um novo controlador assumirá as dívidas da loja com bancos, fornecedores e funcionários. A unidade será vendida a um possível investidor que injetará recursos para recuperar a empresa.
OS NEGÓCIOS
A Daslu tem duas lojas em São Paulo e tem planos de expansão para outros Estados. Uma é o complexo Villa Daslu, com 4.800 metros quadrados (boa parte já desativada desde o ano passado). O centro é administrado há cerca de um ano pelo Grupo Iguatemi. A outra loja é no shopping Cidade Jardim, controlado pela JHSF.
A loja passa por dificuldades desde 2005, quando foi alvo da operação Narciso, realizada por Receita, Ministério Público e Polícia Federal. Tranchesi foi presa e condenada a 94 anos de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos.
As dívidas da Daslu com o fisco paulista somavam cerca de R$ 500 milhões (incluindo multas por sonegação de ICMS), segundo advogados. Parte desse total (R$ 60 milhões) foi paga quando a Daslu aderiu ao programa de parcelamento do fisco. Com a Receita Federal, estima-se que as multas por sonegação somem R$ 400 milhões. Esses valores foram atualizados até julho de 2010.