ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília
As políticas fiscal e de crédito adotadas pelo governo federal não afetam a condução da política monetária. Essa é a avaliação do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que não deixa de ser uma resposta aos críticos do aumentos dos gastos do governo e do estímulo a oferta de crédito, em especial o crédito consignado --desconto em folha de pagamento.
É importante ressaltar que impulsos expansionistas de qualquer natureza requerem resposta adequada da política monetária, mas sua ocorrência de modo algum configura perda de efetividade dos instrumentos monetários convencionais, diz a ata da reunião que elevou a taxa básica de juros da economia chegou a 18,75% ao ano.
Recentemente, o governo recebeu da Fiesp (Federação das Indústria de São Paulo) uma série críticas sobre o aumento dos gastos públicos, que contribuiriam para as elevadas taxas de juros praticadas no Brasil.
Sobre o ritmo de despesas do governo, o Copom diz que a política fiscal não torna ineficaz o trabalho de política monetária.
É inegável que reduções nos gastos públicos reforçam a ação da política monetária no controle da inflação e que o aprofundamento no processo de melhora nas contas públicas abre ainda mais espaço para a redução das taxas de juros reais da economia no médio prazo. Mas, novamente, isso não significa que a atual postura de política fiscal torne ineficazes movimentos dos instrumentos convencionais de política monetária no controle da inflação, explica o documento.
O estímulo ao crédito com desconto em folha de pagamento --com mais dinheiro, os consumidores podem gastar mais, o que pode aumentar a pressão sobre a demanda-- não é visto pelo Copom como um risco para a trajetória da inflação.
No que diz respeito ao crescimento do crédito em função da introdução de novas modalidades de empréstimo à pessoa física, trata-se de um avanço estrutural importante que, além de contribuir de forma permanente para uma maior eficiência da intermediação financeira, deverá na verdade aumentar a efetividade da política monetária no médio prazo.
A modalidade de empréstimo com desconto em folha é a que mais cresce no país. Em dezembro --último dado disponível-- o estoque do crédito consignado ficou em R$ 12,401 bilhões. Em janeiro do ano passado, era de apenas R$ 6,319 bilhões.
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