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Atualizado às 14h43.
Menos crédito e a um custo maior. Apesar dos esforços do governo para tentar fazer com que os bancos começassem o ano emprestando mais e cobrando menos dos clientes, o início de 2013 foi marcado pelo pé no freio dos bancos na liberação de novos empréstimos e alta dos juros nessas operações.
A queda nas concessões atingiu tanto as pessoas físicas quanto as empresas, segundo mostram dados do Banco Central divulgados no final da manhã de hoje. O incremento no crédito para o setor produtivo é uma das apostas do governo para tentar fazer a economia deslanchar, sem risco de uma disparada nos preços.
No entanto, o que apontam as estatísticas do BC que foram reformuladas e agora têm nova metodologia de cálculo, é que, no geral (incluindo operações livres e direcionadas), as concessões em janeiro foram 16,7% menor do que em dezembro. A queda para pessoa física foi de 4,4% enquanto para as empresas foi de 27%.
Para o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel, porém, não se pode tratar isso como uma tendência para o ano. "Janeiro mostra um comportamento dentro do que se esperava dada sazonalidade do período", afirmou. "O mercado flui normalmente neste início de ano".
BNDES
O recuo é maior nas operações direcionadas, onde estão incluídos financiamentos habitacionais, rurais e os feitos pelo BNDES. Aí a queda total chega a 49,7%, sendo 60,3% nas voltadas às empresas e 27,7% às pessoas físicas.
"O determinante na queda do volume foi o crédito do BNDES. Há um recuo. Mas o BNDES tem uma sistemática de trabalho, que envolve análise de projetos e isso culmina com concessões em dezembro. Depois, em janeiro, volta ao normal. Os desembolsos do BNDES não devem ser analisados à luz dos dados mensais", afirmou Maciel.
O crédito com recursos livres, onde está classificada a maior parte das operações realizadas no dia a dia pelas famílias (como cheque especial, crédito pessoal, consignado, compra de veículos e cartão de crédito), a queda foi 1% nessas concessões do mês e de 17,4% nas com empresas.
JUROS EM ALTA
Ao mesmo tempo em que emprestaram menos em janeiro, os bancos também cobraram mais pelo crédito concedido. No geral, a taxa média cobrada subiu 0,5 ponto percentual, sendo 0,3 ponto no juro da pessoa física, que foi para 24,6% ao ano, e 0,6 ponto percentual na taxa cobrada das empresas, que chegou a 13,9% ao ano.
Nas operações com recursos livres, a alta é ainda maior: 0,8 ponto no global. As pessoas físicas pagaram 0,6 ponto percentual a mais no custo médio dos empréstimos que foi para 34,5% ao ano. E no caso das empresas, a alta foi de 0,9 ponto percentual, fazendo a taxa subir para 18,8% ao ano.
Para Maciel, a alta "é natural" depois de um período longo de queda dos juros cobrados pelos bancos.
INADIMPLÊNCIA
Os dados do BC mostram ainda que a inadimplência resiste a ceder de forma mais significativa como projetava o governo.
Os atrasos com mais de 90 dias somam 5,6% de todas as operações com recursos livres, mesmo valor registrado em dezembro. No crédito para pessoa física, ela era de 8% em dezembro e fechou janeiro em 7,9%. Nos empréstimos voltado às empresas ela permaneceu em 3,7%.
Apesar disso, o BC aposta que os calotes irão recuar diante de um cenário projetado que combina: desemprego baixo, aumento da massa salarial e redução dos juros básicos.
Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco Central têm nova metodologia. Foi ampliado o volume de informações. Dados sobre taxa de juros e inadimplência do crédito direcionado, por exemplo, foram incluídas. Essa modalidade representa mais de 40% do saldo total de crédito da economia e estava apenas parcialmente contemplado.