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DE SÃO PAULO
Atualizado às 18h15.
Na contramão da alta vista nos mercados internacionais, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou esta quinta-feira (24) em queda de 1,02%, a 54.877 pontos, com os investidores aproveitando o dia para embolsar lucros diante da recente valorização do índice.
Nos EUA, o índice Dow Jones subiu 0,62%, a 15.509 pontos, enquanto o S&P 500 teve ganho de 0,33%, a 1.752 pontos, e o Nasdaq registrou valorização de 0,56%, a 3.928 pontos. Os mercados europeu e asiático também encerraram o dia no azul refletindo dados positivos da China e resultados de empresas.
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"A Bolsa passou por um momento de realização. O índice sobe mais de 4% em outubro, depois de ter subido 4,65% em setembro e 3,68% em agosto. Os investidores aproveitaram para vender papéis e lucrar após essa valorização", disse Elad Revi, analista-chefe da Spinelli Corretora.
Segundo o analista, a perspectiva para a temporada de resultados é, no geral, positiva, o que deve impactar positivamente as ações das companhias brasileiras. "Por isso, é natural que haja uma queda da Bolsa agora para uma recuperação futura", avaliou.
A principal pressão negativa sobre o Ibovespa foi o papel da OGX, petroleira de Eike Batista, que cedeu 7,69%, a R$ 0,36. A mineradora do empresário, a MMX, também viu suas ações caírem no dia, com perda de 4,35%, a R$ 0,88.
O mercado avaliou a notícia de que a OGX negocia a venda de sua participação em campos de gás no Maranhão como forma de levantar dinheiro para a recuperação judicial.
Também no vermelho, os units (conjuntos de ações) do Banco Santander Brasil registraram queda de 1,44%, depois que o banco divulgou ter fechado o terceiro trimestre deste ano com queda de 6,8% no lucro líquido, na comparação com o ano passado, para R$ 1,407 bilhão.
Entre as maiores baixas do Ibovespa ficaram os papéis do setor de construção, com destaque para Gafisa (-6,04%), Brookfield (-4,49%) e Rossi (-2,90%).
"Esses papéis têm sofrido com a perspectiva de que o juro básico [a taxa Selic] deve voltar a dois dígitos em breve, o que encarece os financiamentos e pode prejudicar as vendas dessas empresas", diz Revi. Para ele, os papéis do setor de construção vão seguir pressionados até meados de 2014.
"Terão melhor desempenho aquelas empresas com operações fora dos grandes centros comerciais, que estão com capacidade esgotada para novos empreendimentos, ou aquelas com maior exposição às camadas menos favorecidas da população, com projetos do 'Minha Casa, Minha Vida', por exemplo", completa.
A desvalorização das ações mais negociadas da Petrobras (-0,49%) nesta quinta-feira também ajudou a derrubar a Bolsa brasileira.
CÂMBIO
No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve alta de 0,71% em relação ao real, terminando o dia cotado em R$ 2,199 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, teve ganho de 0,64%, a R$ 2,201.
Foi o segundo dia seguido de avanço da moeda americana refletindo o fato de o Banco Central não ter rolado integralmente contratos de swap cambial tradicional --equivalente à venda futura de dólares-- que vencem em 1º de novembro, enxugando liquidez do mercado de câmbio brasileiro.
A autoridade concluiu nesta quinta-feira o processo de rolagem desses contratos, repassando apenas 33% do total. Na terceira etapa da rolagem, a autoridade monetária vendeu a oferta total de 20 mil swaps, com volume de US$ 988,9 milhões. Com isso, o BC rolou o equivalente a US$ 2,964 bilhões dos US$ 8,87 bilhões que vencem no mês que vem.
Na operação desta tarde, o BC colocou 14,4 mil contratos com vencimento em 1º de julho de 2014 e 5,6 mil contratos com vencimento em 1º de outubro de 2014.
Além disso, pela manhã, o BC já havia realizado um leilão de swap cambial tradicional, que equivale à venda de dólares no mercado futuro. A autoridade vendeu, ao todo, 10 mil contratos com vencimento em 1º de julho de 2014, por US$ 495,3 milhões. Não foram aceitas propostas para os contratos com vencimento em 5 de março do próximo ano.
Esta operação estava prevista pelo plano da autoridade para conter a escalada do dólar.
Com Reuters