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ANDERSON FIGO
DE SÃO PAULO
O Banco Central (BC) subiu ontem o juro básico da economia brasileira, a taxa Selic, em 0,50 ponto percentual, para 9,5% ao ano. O aumento, quinto seguido, era amplamente esperado pelo mercado.
Apesar disso, segundo especialistas consultados pela Folha, a grande surpresa ficou com o comunicado da autoridade, que permaneceu inalterado em relação ao da última reunião, indicando que o BC pode voltar a subir a Selic em 0,5 ponto percentual em novembro, levando a taxa novamente a dois dígitos.
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Em meio a este cenário, o principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, registrava alta de 0,5%, às 12h48 (horário de Brasília), a 52.814 pontos. O indicador também era influenciado pelo bom humor externo diante de sinalizações de que republicanos e democratas podem chegar a um acordo, ao menos temporário, sobre o teto da dívida do governo dos EUA.
Além de ajudar a Bolsa, a perspectiva de juros em dois dígitos deixaria o país mais atraente aos investimentos externos, o que diminuiria a pressão sobre o dólar. Assim, às 12h48, a moeda americana à vista, referência no mercado financeiro, caía 1,22% em relação ao real, para R$ 2,180. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedia 1,08%, a R$ 2,182.
"Não houve indicações no comunicado do BC de que a autoridade está disposta a desacelerar o ritmo de altas [da Selic] na próxima reunião, uma vez que o conteúdo da nota permaneceu inalterado em relação à anterior", diz Alberto Ramos, economista do Goldman Sachs.
Segundo Ramos, a ata da reunião do BC de ontem, que será divulgada na semana que vem, deve ser olhada com atenção. O documento deverá trazer a percepção da autoridade sobre o comportamento da inflação no país, que é considerada o principal fator para a política monetária do BC.
Nesta semana, o governo deu aval ao BC para subir a Selic a dois dígitos, com avaliação de que uma inflação em alta causa mais estragos para a imagem da presidente Dilma que a elevação da taxa.
"O fato de o comunicado do BC ter permanecido inalterado deve ser visto como uma forte indicação de que o Copom [Comitê de Política Monetária do BC] vai considerar seriamente aumentar, novamente, em 0,50 ponto percentual a Selic, levando-a a dois dígitos", avalia Ramos.
Para Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú, a manutenção do comunicado do BC surpreendeu porque o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem se mostrado mais confiante com o cenário para a inflação, o que sugeria uma possível mudança no teor da nota da autoridade.
"A manutenção do comunicado, portanto, indica que, na visão do Copom, o ciclo de alta de juros deve continuar para minimizar as pressões inflacionárias geradas pela depreciação cambial e pelo mercado de trabalho ainda apertado", diz.
Mesmo assim, Goldfajn mantém "por ora" a expectativa de um ajuste adicional de 0,25 ponto percentual na Selic em novembro, dado o crescimento moderado e a estabilidade recente da taxa de câmbio.
"No entanto, reconhecemos que a manutenção do comunicado aumenta a probabilidade do ciclo se prolongar para além de 10%, ao passo atual de 0,50 ponto percentual. Esperaremos a ata desta reunião, na próxima quinta-feira, para entender melhor os próximos passos que deverão ser dados pelo Banco Central", completa.