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DE SÃO PAULO
Apesar de ter começado o dia em alta, o Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, cai nesta tarde de terça-feira (30) em meio a divulgação de resultados de grandes bancos no Brasil e com o mercado ainda à espera da reunião do banco central americano, que acontece amanhã.
Às 13h49 (horário de Brasília), o Ibovespa tinha baixa de 0,79%, a 48.821 pontos. "A instabilidade da Bolsa hoje reflete a expectativa pela reunião do BC americano. Investidores também estão embolsando lucros após três semanas seguidas de ganhos do Ibovespa", diz Hamilton Alves, estrategista do BB Investimentos.
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No câmbio, o dólar à vista --referência para as negociações no mercado financeiro-- tinha valorização de 0,67% em relação ao real às 13h38, cotado em R$ 2,276 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial --utilizado no comércio exterior-- subia 0,3%, para R$ 2,277.
"Mesmo com a alta do setor bancário, guiado pelo avanço de mais de 1% das ações do Banco Santander e do Itaú após resultados, o Ibovespa continua pressionado pelo desempenho nagativo das ações do setor siderúrgico. As baixas de Petrobras e Vale também contribuem para a queda da Bolsa brasileira nesta tarde", diz Hamilton Alves, estrategista do BB Investimentos.
Dando continuidade à temporada de divulgação de resultados no Brasil, o Itaú Unibanco, maior banco privado do Brasil, anunciou nesta terça-feira que encerrou o segundo trimestre desse ano com lucro líquido contábil de R$ 3,583 bilhões, alta de 8,44% em relação a igual período do ano passado.
Também nesta manhã, o Banco Santander Brasil anunciou que lucrou R$ 501 milhões no segundo trimestre deste ano, com queda de 9,73% ante igual período de 2012 e recuo de 17,8% em relação ao primeiro trimestre. Os números, no entanto, superaram as expectativas de analistas.
Às 13h40, as ações do Itaú subiam 1,06%, para R$ 29,30. No mesmo horário, os papéis do Banco Santander Brasil avançavam 2,11%, para R$ 13,99.
"Acreditamos que o resultado possa ser recebido como positivo, dado que o banco [Itaú] conseguiu entregar resultados consistentes. De fato, o banco ainda sofre influências negativas das próprias condições de mercado. Porém vale ressaltar que os níveis de spread e margem com clientes mostram sinais de estabilização e até crescimento para a instituição", diz o analista, William Alves, da XP Investimentos.
Alves, porém, não vê boas perspectivas ao Banco Santander Brasil. "O banco [Santander] continua a apresentar crescimento vagaroso em suas operações, níveis de inadimplência desconfortáveis e indicadores de retorno abaixo da média", afirma. "Ainda sob influência das condições de mercado aliadas a mudança no mix de sua carteira, o banco [Santander] deve apresentar dificuldades em se desvencilhar de sua tendência negativa nos próximos trimestres", completa.
Representando, juntas, mais de 17% do Ibovespa, as ações mais negociadas de Petrobras e Vale caíam 1,25% e 1,17% às 13h43, respectivamente, para R$ 16,47 e R$ 28,56.
As ações ordinárias (com direito a voto) da Usiminas caíam 3,65% às 13h48, para R$ 9,25, corrigindo ganhos recentes.
ESTADOS UNIDOS
Segundo analistas, os investidores seguem na expectativa pela reunião do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, amanhã. A autoridade deve indicar se começará ou não a reduzir seu programa de recompra mensal de títulos públicos já em setembro.
Desde 2009, o BC americano recompra, mensalmente, US$ 85 bilhões em títulos públicos para reforçar a economia dos EUA. Diante de indicadores econômicos positivos, a autoridade já afirmou que pretende encerrar o programa de estímulo em meados de 2014, mas deixou incerto quando irá começar a reduzi-lo.
Como parte do dinheiro mensal injetado pelo Fed nos EUA acaba migrando para investimentos em outros países, inclusive o Brasil, investidores do mundo todo olham com cautela para as decisões do BC americano sobre seu programa.
"Se ele [o Fed] disser na quarta-feira que vai começar a cortar o estímulo já em setembro, o Ibovespa pode perder esse ganho acumulado em julho no último dia do mês", ressalta Alves.
O analista Bruno Gonçalves, da WinTrade Corretora, se mantém cético em relação a uma retomada da Bolsa brasileira. "Mesmo que o Ibovespa tenha apresentado desempenho melhor recentemente, não acredito em uma recuperação sustentável da Bolsa brasileira, que cai em torno de 19% no ano", diz.
Segundo ele, a falta de crebilidade do governo brasileiro e suas medidas são o principal fator para a tendência negativa do Ibovespa. "Não estamos vendo a economia engatar, o alívio da inflação é pontual e a política fiscal do governo não é confiável."
"O governo tem que se preocupar em reduzir gastos em um momento em que a população clama por melhorias, o que demanda mais investimentos. Só haverá dedicação em solucionar os problemas econômicos do país no ano que vem, quando teremos eleições. Até lá, a Bolsa deve continuar sofrendo", completa.