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LUCAS VETORAZZO
DO RIO
Cerca de 250 policiais militares dispersaram o grupo de professores que protestava na praça da Cinelândia, no centro do Rio, no final da tarde desta terça-feira. O grupo estava nos arredores da Câmara dos Vereadores, que vota o plano de cargos e salários dos professores municipais. Houve confronto.
Quatro grupos de policiais, sendo três delas do Batalhão de Choque, atiraram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo, usaram cassetetes e armas de choque elétrico para fazer com que manifestantes se afastassem do prédio. Pessoas que deixavam o trabalho no horário acabaram sendo atingidas pelas bombas.
Do alto dos prédios comerciais da região, vários trabalhadores vaiaram e gritaram palavras de ordem contra a ação policial.
Sob vaias, uma viatura do Batalhão de Choque atravessou a avenida Rio Branco, em direção ao Aterro do Flamengo em alta velocidade. Um policial que estava no interior do veículo jogou spray de pimenta no ar. O vento espalhou o produto, de novo atingindo pessoas que não estavam envolvidas nos protestos.
Os manifestantes se dispersaram em duas direções. O maior grupo seguiu pela avenida Rio Branco, que tem parte do trânsito interrompido, em direção à avenida Presidente Vargas. Pelo menos, quatro agências bancárias, das quais três do Itaú e uma da Caixa Econômica, tiveram as vidraças estilhaçadas.
O protesto dos professores reunia diante da Câmara Municipal do Rio profissionais das redes municipal e estadual de educação, movimentos sociais, partidos políticos de esquerda e integrantes do grupo 'black bloc'.
ESCOLAS TÉCNICAS
Mais cedo, professores da Faetec (Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro) decidiram manter a greve da categoria, iniciada no dia 12 de agosto.
Em assembleia realizada na manhã desta terça, os servidores decidiram apoiar o ato dos professores municipais que acontece na Cinelândia. A decisão foi tomada após a realização de uma votação.
Uma parte dos professores não concordaram com a decisão de ir até a Cinelândia porque parte dos presentes queriam fazer pressão no Palácio do governo e, depois, partir para a Cinelândia, onde estão concentrados os professores municipais. A maioria votou por unificar a luta da educação no Rio.
Os professores da Faetec têm sindicato próprio, pois as escolas técnicas do Rio fazem parte da Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia.
DEPREDAÇÃO
Ontem, um grupo de manifestantes que estava na Cinelândia, no centro do Rio, deixou a praça em direção à 5ª Delegacia de Polícia, na Lapa, zona boêmia da cidade.
No caminho, depredaram a fachada de vidro do Edifício Serrador, onde funciona a sede do grupo EBX, do empresário Eike Batista, que passa por uma grave crise financeira. Além disso, destruíram um toldo da lanchonete McDonald's e jogaram pedras em um ônibus.
"BLACK BLOCS"
No fim da tarde de ontem, "black blocs" se juntaram aos professores e deram voltas no quarteirão da Cinelândia, o que causou o fechamento de ruas e deu um nó no trânsito. Alguns deles estavam com o rosto encoberto, apesar da nova lei que proíbe o uso de máscaras no Rio.
Uma briga entre policiais militares e manifestantes "black blocs" terminou com uma pessoa com o pé quebrado, dois manifestantes detidos e uma bomba atirada dentro de uma viatura policial na avenida Rio Branco, centro do Rio. Manifestantes alegam que foi uma bomba de efeito moral de um policial que teria sido acionada por engano. Alguns, inclusive, gritaram "burro" para um grupo de PMs logo após o ocorrido.
Outros manifestantes, contudo, afirmam que foi uma bomba do tipo "cabeção de nego", atirada pelos que estavam protestando. Atônitos, os policiais apenas tiraram a viatura do local e não buscaram identificar responsáveis.
GREVES
Tanto a categoria dos professores municipais quanto a dos professores estaduais estão em greve desde agosto. Eles são contra o plano de cargos e salários proposto pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB). Ontem, Paes realizou uma teleconferência para responder dúvidas dos professores.
Paes fez críticas ao sindicato do professores, Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), afirmando que continua aberto ao diálogo e que o plano é favorável à categoria, o que é contestado pelos professores.
| Editoria de Arte/Folhapress | ||
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