Prefeituras de PR e PE preparam parcerias público-privadas para lixo
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"A LUZ DO emprego piscou", escrevia-se no título desta coluna faz dois meses a respeito da pesquisa de emprego do IBGE com informações de junho, entre outros indicadores de que o mercado de trabalho parecia mais fraco.
A luz do emprego não parece mais forte agora, a julgar pelas informações a respeito de agosto, divulgadas ontem pelo IBGE. Mas não dá sinais de que vá pifar, pelo menos tão cedo.
O ritmo de aumento do salário real decai desde dezembro de 2013, decerto (na variação da média de 12 meses), mas já vimos esse filme antes. O aumento real do rendimento médio (isto é, descontada a inflação) caiu para algo em torno de 2% ao ano em meados de 2008, de 2010 e no início de 2012 (quando caiu "só" para 2,5%, como agora). Mas um ano depois, mais ou menos, voltava a subir para 4,5% ao ano ou mais.
Estamos no "fundo do poço" desses ciclos de baixa, que pode bem continuar. Porém, o desemprego continua a cair; o número de pessoas ocupadas continua a subir de modo muito mais que decente.
Por outro lado, o crescimento do número de empregos formais (na contagem do Ministério do Trabalho) vai diminuindo. Os estoques nas empresas subiam. A indústria demitia em temporada tipicamente destinada a contratações para a produção de final de ano.
Recentemente, pesquisas indicavam que mais trabalhadores se queixavam de dificuldades maiores de encontrar trabalho, em geral indicador de desemprego à frente.
Sim, a economia vai crescer em 2013 bem mais do que em 2012 (uns 2,5% diante de 0,9%). Mas, outro porém, estamos numa campanha de alta de juros, a confiança do empresariado continua a declinar e o crescimento da economia estimado para o ano que vem é menor que o de 2013. Enfim, a tendência do câmbio é de desvalorização do real, o que, em tese, tende a prejudicar o setor de serviços, que vinha dando impulso forte ao emprego.
ALARME FALSO?
O que houve em meados do ano foi alarme falso? Como se escrevia aqui em julho, alguns economistas "...acreditam que os dados recentes sobre emprego, confiança e muito mais estão distorcidos ou 'cheios de ruído' devido às manifestações de junho e à balançada feia nos mercados financeiros no mundo inteiro, em especial aqui".
A balançada feia nos mercados era devida à expectativa de mudança da política monetária americana, que fez o dólar saltar em junho. No entanto, balançada ainda pior ocorreu em agosto.
E daí?
Os economistas do Bradesco, por exemplo, acreditam que a taxa média de desemprego suba apenas para 6% no ano que vem. Politicamente, em termos eleitorais, mal vai dar para sentir, se for este mesmo o caso e se não ocorrer algum outro tropeço econômico feio.
Mas, se for este mesmo o caso, vai ser bem difícil que a inflação caia do degrau incômodo de 6%, em que tem estado nos últimos quatro anos, por aí. Isto é, parece cada vez mais certo que vamos levar o problema da inflação, entre tanto outros, para 2015, um ano de muita casa para arrumar.
Vinicius Torres Freire está na Folha desde 1991. Foi Secretário de Redação, editor de 'Dinheiro', 'Opinião', 'Ciência', 'Educação' e correspondente em Paris. Em sua coluna, aborda temas políticos e econômicos. Escreve às terças, quintas e domingos, no caderno 'Mercado'.