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SÃO PAULO - A economia brasileira deverá crescer 2,3% neste ano e encerrar 2014 mostrando uma expansão de 1,7%, segundo projeções que o economista-chefe do Banco Santander, Maurício Molan, levou nesta terça-feira, 1, para o 5º Business Round Up - Perspectivas para 2014, evento econômico que a Câmara Americana de Comércio (Amcham) realiza em São Paulo.
A previsão de Molan para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) neste e no próximo ano está embutida num cenário em que o Banco Santander vê o Banco Central (BC) aumentando a taxa básica de juros (Selic), seja pelo pouco espaço para sustentar pressão inflacionária interna, seja pelo novo patamar de cotação de moedas internacionais. O BC terá que aumentar juros porque não temos mais gordura para queimar do lado da inflação, disse o chefe do Departamento Econômico do Santander. Além disso, diz Molan, está em curso um realinhamento dos preços dos ativos no mercado internacional na esteira da recuperação americana e global.
Essa recuperação econômica global vem acompanhada de mudança de preço das moedas. Mas para nós, o melhor dos mundos seria a China continuar crescendo bastante e os Estados Unidos dando estímulos à sua economia, disse Molan. Estes papéis, de acordo com ele, estão sendo trocados, o que leva a um realinhamento das moedas no mundo. Essa nova conjuntura, segundo o economista, exige um ajuste macroeconômico no curto prazo. Este ajuste terá que ser feito em 2013 e 2014, disse, apontando como focos de ajustes o câmbio e o juro.
Neste cenário, o economista não vê o Brasil perto de uma crise. A política fiscal está ruim, mas longe de um colapso, disse. Ainda de acordo com o economista do Santander, há espaço para atrair investimentos estrangeiros. Com os ajustes necessários, avalia Molan, a economia brasileira poderá crescer de 3% a 4% nos próximos anos.
Salários
Segundo ele, um dos problemas do Brasil é que a sua economia tem feito ajustes de salários reais acima da produtividade desde 2004. Isso, segundo ele, encarece o produto brasileiro. Nossa estimativa é de que desde 2003 nosso custo de trabalho cresceu 63%, em dólar. Nos EUA foi algo entre 10% e 20%, afirmou. Com isso o Brasil perdeu competitividade, o que também ocorreu nos países europeus, afirmou Molan. Para tentar recuperar a competitividade, o governo lançou mão da elevação dos salários e desvalorização do real.
O ideal é que a competitividade fosse restaurada por motivos outros que não fossem aumento de salários, explicou o economista. A perda de competitividade do País nos últimos anos, segundo ele, prejudicou a indústria. Ao mesmo tempo em que a renda das famílias cresceu, a das empresas ficou menor. Molan lembra ainda que de 2003 a 2008, o PIB per capta cresceu 4,5% e a renda das famílias também se expandiu a uma taxa de 4,5%. Em 2008 o PIB per capta desacelerou para 2,7% e a renda das famílias manteve-se nos mesmos 4,5%. Para manter a renda das famílias, o governo resolveu dar estímulo ao consumo, o que resultou em mais importações. Por isso a frustração com o aumento do consumo, observou Molan. Por isso que o BC se viu obrigado a aumentar juros.