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FERNANDA ODILLA
ENVIADA ESPECIAL A LOS CARDALES
Na viagem "a jato" que fez à Argentina, a presidente Dilma Rousseff expressou a insatisfação em relação ao desvio de comércio que beneficia parceiros de outros continentes em detrimento do Brasil e da Argentina.
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"Nossos arranjos não podem a levar a uma situação de desvio de comércio recíproco em benefício de parceiros extrarregionais. Podemos e devemos ter parceiros extrarregionais, mas não em detrimento no avanço de nossa integração regional", disse Dilma na tarde desta quarta-feira (28).
Depois de se reunir por uma hora com a presidente argentina Cristina Kirchner, Dilma discursou para empresários e representantes dos governos do Brasil e da Argentina no encerramento de um encontro promovido pela União Industrial Argentina em Los Cardales, a 60 quilômetros de Buenos Aires.
Divulgação/Casa Rosada | ||
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Dilma Rousseff é recebida pela presidente da Argentina, Cristina Kirchner, antes do fim de conferência industrial |
As declarações da presidente foram dadas num momento em que o Brasil perde espaço no mercado argentino, em especial para a China.
Números do Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censo) da Argentina sinalizam um cenário desfavorável ao Brasil: as importações de produtos brasileiros pela Argentina caíram 19,4% de janeiro a setembro de 2012, percentual superior à queda de 3,4% registrada no comércio com outros países.
Dilma disse querer a Argentina como "sócia" comercial do Brasil. "Jamais nós podemos considerar a possibilidade de menos integração, porque este seria um erro histórico imperdoável. (...)Diante deste quadro, se mais razão não existisse, nossa única e melhor opção é buscar mais integração e mais solidariedade entre os países deste lado do hemisfério", Ao lado da colega argentina Cristina Kirchner, a quem chamou de "amiga" duas vezes durante o discurso,
Dilma deixou claro que há "problemas pontuais" entre os dois países que precisam ser superados. Para a presidente brasileira, a integração entre Brasil e Argentina exige um diálogo permanente entre governo e empresariado, dos dois países. "Ela exige esse diálogo para que nós possamos construir uma das mais importantes parcerias no mundo", comentou.
Apesar de reconhecer que o Brasil perdeu espaço no mercado argentino neste ano, ministros de Dilma tentaram, durante os dois dias de reuniões e palestras, minimizar danos criados pelas barreiras comercias impostas pela argentina.
O ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) reconhece que o comércio bilateral este ano entre os dois países está desfavorável ao Brasil e vai registrar superávit menor. No entanto, Pimentel é menos incisivo que Dilma e preferiu classificar 2012 como um "ano atípico".
DÍVIDA
Em relação à relação entre Brasil e Argentina, Cristina afirmou que a integração "deixou de ser um desejo para se tornar uma necessidade". "O Brasil não vai se dar bem se a Argentina se der mal, e vice-versa", disse.
Diante de um período de turbulência política e econômica, a presidente da Argentina afirmou ainda que o país pretende cumprir seus compromissos financeiros com os credores internacionais, uma semana após um tribunal dos EUA ter emitido uma decisão de que o país vai precisar quitar dívida de US$ 1,3 bilhão até o próximo mês.