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DE BRASÍLIA
A defesa do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP) afirmou nesta sexta-feira, durante julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), que o ex-PL, atual PR, recebeu dinheiro do PT por acordo de campanha e não para compra de votos.
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O advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa admitiu os pagamentos feitos do PT para o PL, mas insistiu na tese de que o dinheiro era para caixa dois, não para compra de apoio político.
Bessa ainda minimizou o papel de Costa Neto afirmando que o dinheiro foi repassado como dirigente do partido e não como deputado, o que não configuraria vantagem pessoal.
"O acordo e os pagamentos aconteceriam fosse Valdemar deputado federal ou não. Essa é a questão central", disse.
No processo do mensalão, a Procuradoria-Geral da República acusa o PT de organizar um esquema clandestino de financiamento político para comprar apoio parlamentar no Congresso nos anos de 2003 e 2004.
Para justificar o caixa dois da campanha presidencial de 2002 para quitar dívida de campanha, Bessa invocou depoimento do ex-vice-presidente José Alencar, falecido em março de 2011, lembrando os ajustes para a composição de aliança entre PT e PP. E que a composição de Alencar seria para romper com o temor de um governo "esquerdizante" que rondava o PT.
Citando uma reportagem da Folha, ele disse que numa reunião com o ex-presidente Lula ficou acertado a divisão de caixa de campanha.
A defesa disse que a tese de que o PL estaria envolvido na compra de votos não se sustenta. "Há uma questão que tem que ser lembrada: o PL fazia parte do governo, não veio aderir ao governo em 2003", disse Bessa destacando que o partido não teve nenhum rompimento ideológico nas votações e votou alinhado com a oposição, inclusive.
Seguindo a linha de outras defesas, apontou que não há relação entre saques do valerioduto e votações importantes do governo Lula.
O deputado é acusado de formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a acusação, ele recebeu R$ 8,8 milhões do valerioduto e usou uma empresa fantasma, a Guaranhus, para disfarçar a origem do dinheiro. A Procuradoria aponta ainda que ele negociou com o PT um acordo para obter os recursos em troca do apoio do PL ao governo no Congresso.
Lembrando a análise do impeachment do ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB-AL), a defesa disse que a denúncia foi genérica, sem apontar o ato de ofício, ou seja, se houve corrupção e se house vantagem para alguém.